Pré-leitura do livro ´Aforismos para a Sabedoria de Vida´, de ARTHUR SHOPENHAUER – por Osvaldo Euclides

O AUTOR

Arthur Schopenhauer (1788-1860) nasceu em Danzig, Prússia (hoje, Gdansk, Polônia) foi um importante filósofo pessimista, autor de O Mundo como Vontade e Representação, sua obra de referência.

A PUBLICAÇÃO

O livro ´Aforismos para uma Vida de Sabedoria´, de autoria de Arthur Schopenhauer foi publicado em 1851. A editora LPM fez (entre tantas) uma edição de bolso em fevereiro de 2019, com 265 páginas.

CIRCUNSTÂNCIAS

Schopenhauer desenvolveu seu próprio “sistema filosófico” e demorou a ser reconhecido. Quando, em 1851, publicou ´Parerga e Paralipomena”, ganhou visibilidade, chamou a atenção. Daí nasce “Aforismos para uma Vida de Sabedoria”, que não é central na sua base filosófica. ´Aforismos´ é um ordenado conjunto de ensaios de fácil leitura e compreensão, acessível e prático.

A IMPORTÂNCIA DO LIVRO

Arthur Schopenhauer está no mesmo nível de Kant, Hegel, Nietzsche e Wittgenstein, seus vizinhos no tempo, na geografia e na escrita em língua alemã. O Mundo como Vontade e Representação é a obra filosófica principal do autor, que teve de esperar décadas até ter o valor de seu trabalho reconhecido e devidamente valorizado. Este ´Aforismos´, apesar de ser um ponto fora da curva de suas ideias filosóficas, deu enorme visibilidade ao autor.

O LIVRO

Arthur Schopenhauer estrutura este livro em torno de uma ideia. Para ele, há três determinações centrais que estabelecem a diferença entre as pessoas e podem definir a sua sorte na vida, tornando-a uma opção preferível ao “não-ser”. A primeira determinação é “aquilo que se é” – a personalidade no sentido mais amplo, incluindo saúde, força, beleza, temperamento, caráter moral, inteligência e instrução. A segunda determinação é “aquilo que se tem”, ou seja, propriedades e posses em todos os sentidos. A terceira é “aquilo que se representa”, ou seja, como a pessoa é pelas outras vista, representada. Schopenhauer explica, detalha e aprofunda as três determinações e estabelece qual é a prioritária. Este é o eixo do livro.

Ao longo do texto, o autor avalia e comenta inúmeros outros elementos, como a alegria, o dinheiro, a honra, a vaidade, o orgulho, a solidão, a velhice, a vida intelectual e como eles podem afetar a qualidade de vida (ou usando a palavra dele, a sabedoria de vida).

 

INSIGHTS

“Um homem de noções corretas entre os equivocados é como alguém cujo relógio está ajustado em uma cidade em que os relógios de todas as torres estão errados.”

“Uma avaliação correta do que se é em e para si mesmo, oposto àquilo que se é apenas aos olhos dos outros, haverá de contribuir muito para felicidade”.

“Ser autossuficiente, ser tudo para si mesmo e poder dizer ´tudo que é meu trago em mim´ é certamente a qualidade mais profícua para a nossa felicidade”.

“Para se sobreviver ao mundo é adequado trazer consigo uma grande quantidade de precaução e indulgência; por meio da primeira é-se protegido de danos e perdas, da última, de contendas e conflitos.”

“A tolice de nossa natureza aqui descrita gera três rebentos principais: a ambição, a vaidade e o orgulho”.

“Na velhice sabe-se evitar melhor os infortúnios; na juventude sabe-se suportá-los”.

IDEIAS CENTRAIS

“Eu digo que aquilo que fundamenta a diferença na sorte dos mortais pode ser reconduzido a três determinações fundamentais: 1. Aquilo que se é, ou seja, a personalidade no sentido mais amplo. Por conseguinte incluem-se aqui saúde, força, beleza, temperamento, caráter moral, inteligência e instrução. 2 Aquilo que se tem, ou seja, propriedades e posses em todos os sentidos. 3. Aquilo que se representa: sob esta expressão é comumente entendido aquilo que alguém é na representação de outros, ou seja, na verdade, como ele é por eles representado. Consiste, portanto, em sua opinião sobre ele e decompõe-se em honra, posição e fama”.

“Pois, de maneira geral, nossa natureza animalesca é a base de nsso ser e consequentemente também de nossa felicidade. Por isso, a saúde é o mais essencial para o nosso bem-estar, ao lado dela, porém, os meios para nosso sustento, ou seja, um meio de subsistência que não nos cause preocupação. Honra, esplendor, posição, fama, por mais que alguns os valorizem, são incapazes de competir com aqueles essenciais ou de substituí-los…”

“Por isso devemos sempre abrir as portas e os portões à alegria, sempre que esta se apresentar, pois ela jamais vem em má hora…ela somente é como que a moeda da felicidade e não, como todo o resto, a letra de câmbio da mesma; pois apenas ela faz feliz imediatamente no presente; por isso ela é o bem supremo…nada contribui menos para a alegria do que a riqueza, e nada contribui mais a ela do que a a saúde…”

“…esclarece-se o quanto a nossa felicidade depende daquilo que somos, de nossa individualidade, enquanto que na maioria dos casos apenas o nosso destino, apenas aquilo que temos ou representamos é levado em conta. O destino, porém, pode melhorar: ademais, estando em posse de riqueza interior, não se exigirá muito deles; em contrapartida, um pateta permanece sendo um pateta, um estúpido embotado permanece embotado e estúpido até o fim, estivesse ele no paraíso e cercado de huris (virgens celestiais).”

“O orgulho é a estima partida de dentro, e consequentemente direta, de si mesmo; a vaidade, em contrapartida, é o anseio de obter essa estima de fora., ou seja, de maneira indireta. Em consonância com isso; em consonância com isso a vaidade torna loquaz; o orgulho, calado. Mas o vaidoso deveria saber que a opinião elevada dos demais, pela qual ele anseia, é muito mais fácil de obter por meio de um calar persistente do que pela fala, mesmo que se tivesse as coisas mais belas a dizer.”

“Agora, por volta do final da vida chega a ser como por volta do final de um baile de máscaras, quando estas são removidas. Vê-se, então, quem foram realmente aqueles com os quais se esteve em contato durante o curso de sua vida. Os caracteres encontram-se agora expostos, os atos deram seus frutos, os méritos obtiveram sua apreciação devida e todas as ilusões estão desfeitas. Pois para isso era preciso tempo. O mais estranho, porém, é que somente pelo fim da vida se conhece e se compreende verdadeiramente também a si mesmo…”

Osvaldo Euclides

Osvaldo Euclides

Economista e Professor Universitário.

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