Potencial de corrupção à luz do dia, em pleno salão e aos olhos de todos

Faça de contas que é real, mas apenas imagine um jornalista ou economista dizendo no rádio ou na televisão que a privatização deve ser feita de forma urgente e a única coisa que importa é o governo se livrar desses gigantescos elefantes brancos que só dão prejuízo ao Brasil. E acrescentando com a voz empolada e em bom economês: “A modelagem mais moderna para essa transferência de controle é a capitalização da empresa, feitos os ajustes indispensáveis”. Entendeu?

Uma empresa estatal do porte de uma Petrobrás (ou Eletrobrás) vale trilhões de reais. O que a fala do economista (ou do jornalista) acima sugere é que as empresas podem ser transferidas do Estado para um particular mediante um aporte de apenas algumas dezenas de bilhões de reais. A diferença é uma montanha de dinheiro: de trilhão para bilhão. É evidentemente um escândalo, mas ninguém treme ao dizer, ninguém se constrange de apoiar e até de aplaudir. Trata-se de um evento de enorme potencial de corrupção (corrupção em doses cavalares, à luz do dia e em ricos salões, a imprensa, a justiça e os tribunais de contas tudo assistindo) , apesar das palavras colocarem tudo numa embalagem chique, sofisticada e sutil.

O Estado brasileiro está permitindo (sem cobrar nada) que ações sem direito a voto passem a ter direito a voto. O Estado está abrindo mão de seu poder de veto para algumas decisões estratégicas também sem cobrar nada. E agora está admitindo transferir o controle também sem qualquer contrapartida (numa capitalização, o dinheiro fica dentro da empresa, sim da empresa que tem um novo dono, e o Estado perde o controle, em tese, sem nada ganhar).

As convicções liberais deste ou daquele governo, deste ou daquele ministro precisam ser submetidas ao bom senso e encontrar limites no razoável.

 

Jana

Jana

Janete Nassi Freitas, nascida em 1966, fez curso superior de Comunicação, é expert em Administração, trabalhou como executiva de vendas e agora faz consultoria para pequenas e médias empresas, teve atuação em grêmios escolares quando jovem, é avessa a redes sociais embora use a internet, é sobrinha e neta de dois vereadores, mas jamais engajou-se ou sequer chegou a filiar-se a um partido, mas diz adorar um bom debate político. Declara-se uma pessoa “de centro”. Nunca exerceu qualquer função em jornalismo, não tem o diploma nem o registro profissional. Assina todos os textos e inserções na internet como “Jana”.

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