Plano econômico: difícil de entender, mais ainda de acreditar, por Osvaldo Euclides

A taxa de crescimento do Produto Interno Bruto será difícil de recuperar. Depois de uma recessão em 2015 e de outra em 2016, em torno de três por cento cada uma, empresas, trabalhadores e consumidores foram obrigados a se acomodar em outro nível (mais baixo) de atividade, consumo e iniciativa. Estabelece-se um novo padrão, cada um colocando-se na própria trincheira, atitude natural de defesa. Seria necessário um evento muito forte para romper essa nova inércia.

Os economistas de mercado, os jornalistas e os políticos do que antes era oposição (e agora é governo) alegavam que a crise econômica se resolveria com a solução da crise política. Discurso razoável, se fosse sincero. Os economistas e os jornalistas podem ter sido feitos de bobos, ainda que improvável, mas os políticos sabiam que o caminho escolhido só aprofundaria, alargaria e complicaria a crise política, o trauma seria forte demais, não se anula sem consequências uma eleição presidencial. E, agravando a crise política, a crise econômica fica sem saída.

Não era sincero nem verdadeiro o discurso, porque a crise econômica foi construída em meses e meses de pessimismo e catastrofismo desproporcionais. O drama da política se transformava em tragédia econômica, e vice-versa, através das correias de transmissão da informação muito concentrada. Foi uma evangelização fanática. Essa pregação foi longa demais, profunda demais, vendia ao cidadão a ideia da maior crise da história do Brasil. A partir de um determinado momento, virou verdade absoluta, consumidores, trabalhadores e empresários retraíram-se.

Estão agora nas suas trincheiras e tudo vêem e tudo ouvem desconfiados. A primeira desconfiança é com a imprensa, agora paciente e tolerante em excesso. Confiança é algo difícil de construir, mas fácil de destruir. Um governo novo poderia ser um alento, se minimamente legítimo, digno de alguma admiração e respeito, dotado de um projeto honesto e viável. Não é o caso. O novo ocupante do Planalto parece frágil, fácil de pressionar, vacila e recua, mostra-se inseguro, age como se estivesse vulnerável a chantagens, intelectualmente limitado, anda mal acompanhado, não pode sair à rua, demonstra completa inexperiência em gestão e no exercício do poder, sinaliza uma trajetória política mais de conchavos e práticas paroquiais.

O novo presidente do Banco Central já avisou que os juros não vão cair tão cedo. O novo ministro da Fazenda prevê crescimento apenas em 2018. O único projeto de longo prazo que se apresenta ao país é o engessamento do gasto público por 20 anos, com o que já usurpa-se também o poder dos próximos cinco presidentes a serem eleitos. Privatizações e concessões apressadas não impulsionarão a economia a curto prazo. As duas reformas que o governo diz urgentes (trabalhista e da previdência) mais parecem projetos incendiários. Agradar ao mercado não significa atender às necessidades do país.

Está difícil de entender, mais difícil ainda de acreditar. Mais que estranho, quase parece suspeito.

Osvaldo Euclides de Araújo

Osvaldo Euclides de Araújo tem graduação em Economia e mestrado em Administração, foi gestor de empresas e professor universitário. É escritor e coordenador geral do Segunda Opinião.