Paralisados, enfeitiçados, como o pássaro prestes a ser comido pela cobra. Por CAPABLANCA

O sistema bancário brasileiro é hoje o maior e mais poderoso cliente dos meios de comunicação de massa, rádio, jornal, televisão e revistas. Os bancos são os maiores interessados na reforma previdenciária. A eles convém desmontar completamente a previdência pública. Como fazer isso? Simples, criando o sistema de capitalizacão individual e desmontando o sistema de solidariedade que vale hoje (a aposentadoria se baseia nas 3 fontes de contribuição do trabalhador, do empregador e do governo, com a capitalização individual vai ficar só a contribuição do trabalhador). Sim, o empresariado vai apoiar (já está apoiando), pois vai ser aliviado de contribuir. E o que ganham os bancos e outros intermediários financeiros? Fácil, todo o fluxo de dinheiro do sistema de seguridade social (Pis, Cofins. CSLL e contribuição previdenciária), valor em torno de meio trilhão de reais fica livre para gastos financeiros, pois pela Lei do Teto de Gastos, que Michel Temer fez aprovar, não poderão ser aplicados em educação, saúde, transportes e segurança.

Como maiores anunciantes da imprensa, maiores interessados e maiores beneficiados com a reforma encaminhada ao Congresso, os banqueiros influenciam (ou pressionam?) rádios, jornais, revistas e televisões a vender, repetir e repetir a ideia de que a reforma previdenciária é necessária, indispensável, inadiável, e a fazer jornalistas insinuarem que tudo vai melhorar depois da reforma aprovada, o que, (in)felizmente não é verdade, não vai acontecer.

Os profissionais da comunicação exercem sua influência repetindo frases vazias como “depois da reforma, voltam os investimentos”, “depois da reforma, a confiança retorna”, “sem reforma, o país vai quebrar”, “depois da reforma, a gente vê o resto”, “retomada só depois da reforma”…

E quer saber o que vai ter depois da reforma da previdência? A imprensa vai começar a ladainha da próxima ‘reforma’. Pode ser a reforma tributária ou a reforma política. E assim, sucessivamente, sem cessar…O governo não tem planejamento. Tem apenas uma agenda de privatização e a reforma previdenciária.

A política econômica é a falta de política econômica. O que teremos ao final dessa “política econômica”? A mesma crise de hoje. Só que o poder público nacional terá sido desmontado, estará sem pernas, sem braços, sem forças, sem elã, o serviço público estará desmontado e frágil, o desemprego estará nas mesmas alturas dramáticas… estamos entrando no quarto ano da “ponte para o futuro” e só se anda para trás. E parece que nada pode ser feito, os brasileiros estão paralisados, enfeitiçados, como o pássro prestes a ser comido pela cobra.

É uma pena e uma dor imensa ser realista sem parecer pessimista num país com o potencial e as riquezas do Brasil., que tinha e tem tudo para ser otimista.

Capablanca

Capablanca

Ernesto Luís “Capablanca”, ou simplesmente “Capablanca” (homenagem ao jogador de xadrez) nascido em 1955, desde jovem dedica-se a trabalhar em ONGs com atuação em projetos sociais nas periferias de grandes cidades; não tem formação superior, diz que conhece metade do Brasil e o “que importa” na América do Sul, é colaborador regular de jornais comunitários. Declara-se um progressista,mas decepcionou-se com as experiências políticas e diz que atua na internet de várias formas.

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