Os verdadeiros heróis e a importância dos exemplos de vida, por Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho

Por princípio, o idealismo está ligado ao conservadorismo, como o exemplo do nazismo e o idealismo alemão. Ao contrário, as ações empíricas relacionam-se à filosofia liberal, de Hume e outros. Já o tradicionalismo de Bolsonaro e Trump apoia -se na desconstrução, sem idealismo ou liberalismo.

Talvez isso explique, ao menos em parte, o que vivemos. De certo, estamos num tempo sem lideranças e relações práticas entre filosofia e política, tão importantes na busca da felicidade em sociedades mais evoluídas. Os mais de 30 % que apoiam o Bolsonaro sempre existiram, são eles que têm saudade da glória dos que servem ao rei, é de um saudosismo tolo e infantil. Versam sobre o mantra dos justiceiros, bem próprio dos egoístas, dos que temem o debate, daqueles que tem certeza de quase tudo. Aliás, esses são ingredientes fundamentais aos movimentos de massificação e manipulação.
Nas últimas décadas, o Brasil do futuro amparou-se na lógica dos economistas financistas, influência inequívoca do mercado e da sociedade de consumo. Sou do tempo que não podíamos questionar axiomas, como o que a responsabilidade fiscal propiciaria o “ welfare state”. Infelizmente o estado de bem estar social não aconteceu, ou melhor, ainda não vem acontecendo. O mundo expandiu as desigualdades e os conflitos.

A melhoria da saúde e da felicidade tem relação evidente com a redução de desigualdades. No Brasil, caminhamos a meu ver, para um estado mais rico e com maior concentração de renda, e para um povo mais pobre. O desafio é secular. O Brasil está sem projeto nas suas áreas mais prioritárias. Não qualquer exemplo de iniciativa para a mudança do modelo de desenvolvimento, prioritariamente, capaz de reverter a desigualdade entre as regiões do Brasil. Trata-se de um processo político, quanto as definições de investimentos, na qualificação das desonerações fiscais e de transformar as escolhas acertadas em orçamento real.
Varias demandas precisam ser solucionadas. Entre elas, estão a de reduzir indicadores básicos como os da violência, que guardam relação direta com o desenvolvimento sustentável e com a desigualdade, e principalmente, dar equidade ao desenvolvimento das regiões econômicas e da saúde. O Ceará do futuro tem que ser agora, justamente diante da maior crise social do século. O Ceará do futuro precisa ser um país, e rever seus mecanismos de representação social e política.
Precisamos, também, combater com coragem e determinação essa massificação do pensamento, que tem por estratégia a escolha dos culpados, fazendo parecer aos desavisados e decepcionados, que uma infantil volta ao passado, ao tempo da separação dos alunos nas salas de aula, ao preconceito com os homossexuais e, principalmente, a proibição da cultura e identidade da nossa sociedade. São esses os ingredientes do pensamento de boiada. Em fim, desejam o retorno de uma sociedade estática, em geral, com valores moralistas e hipocritas. Guardam sim um saudosismo dos anos da ditadura, que insistem não ter existido. É um tipo de vontade óbvia de recuperar a proteção dos escolhidos e protegidos, e a perseguição daqueles que não toleram a desigualdade social e os preconceitos. Refiro me ao patrimonialismo brasileiro.
Porém, não sou um pessimista, nem faço parte dos que acreditam que tudo piorou. Pois, não conseguirão , simplesmente por não silenciarmos.
Opto por ser um otimista realista, por ser um liberal, principalmente no julgamento aos hábitos e costumes, e ainda, por convicção dos males que a falta de humildade proporciona a humanidade, por causar prejuízos ao espírito e à possibilidade de colaboração com o desenvolvimento intuitivo, tão importante na história de nossa sociedade.

Perdoem-me pelo meu modo sem jeito de analisar a nossa realidade. O faço para combater a apatia, e principalmente, o autoritarismo e a dificuldade de aceitar as mudanças, ou mesmo as críticas.

Acredito que estamos num momento de ruptura, para fazer o amanhã mais harmônico.
Entre várias ações, um bom começo seria mudar nossos mitos, reconhecer e enaltecer heróis como Carlos Chagas, Machado de Assis, José de Alencar, Rodolfo Teófilo, dentre outros. São eles os exemplos de doação, dedicação, altruísmo e coragem, valores essenciais para uma sociedade com mais equidade e justiça. São eles os verdadeiros ídolos que governam nossas vidas, pelos exemplos de vida.
Enfim, não precisamos usar ou manchar a bandeira de sangue, nem tampouco exaltar um positivismo nacionalista e excludente. A bandeira significa pouco, mas os valores exprimem muito de uma sociedade!!!

Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho

Convidado

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