Os problemas estão entrelaçados. E o que fazer? por Haroldo Araújo

Na economia e nas finanças de nosso país há um entrelaçamento de problemas a exemplo do déficit público, endividamento e juros altos com elevada carga tributária em que as propostas de enfrentamento ficam igualmente comprometidas em intermináveis debates de propostas conflitantes e por essa razão adiadas. Ao que se sabe ninguém quer comandar políticas a serem propostas que se relacionem com sacrifícios inadiáveis.

Temer luta com os interesses e as vaidades pessoais de integrantes do quadro de auxiliares e apoiadores no Congresso. Não é a oposição que pressiona nosso governante com tanta garra como deveria, mas a base de apoio que age dessa maneira como não deveria. Os cargos estão em disputa numa batalha virtual e fora dos objetivos com que cada poder busca alcançar e deveria contribuir, quando certamente esquecem que o objetivo é um só e do Brasil: “A busca da estabilidade econômica”.

A instabilidade pela disputa do comando das duas casas legislativas coloca o nosso país em compasso de espera, quiçá de uma reforma ministerial não esperada e fora de época . Para engrossar o caldo das vaidades pessoais que ainda navegam nas águas turvas das indefinições descabidas dos poderes decisórios, vivemos um compasso de espera de escolhas de nomes que não saem, a exemplo do novo relator da Lava-jato, cujos rumos a serem tomados poderão mudar o quadro de comando nacional. Haverá um sorteio nesta quarta-feira para a escolha!

Os recentes números nos mostram que o déficit orçamentário previsto por Temer para 2017 será de R$ 140 BI, portanto continuará acima de R$ 100 BI, fato que comprova a indisposição governamental de não enfrentar o problema como decerto não deveria a golpes de machado, mas sua postura (até aqui) também revela uma acauteladora certeza de que não se dispõe a ser um Indiana Jones como já se tentou (Collor) ou se enveredar em aventuras popularescas (Lula).

E o que seriam essas temerárias aventuras? Essas aventuras seriam, como já disse, uma tentativa e que já vem sendo cobrada na política para adotar medidas que certamente renderia ao Presidente os aplausos que seriam momentâneos, mas com desastroso efeito bumerangue que atingiria o Brasil como um todo. Falo do delicado problema dos empregos que alcança calamitoso número de 12.300.000 de desempregados! Pois é amigo, combatemos a inflação a golpes de juros altos, mas a recessão continua teimosa.

Precisamos baixar os juros, mas quem vai financiar o déficit mais teimoso ainda que a inflação. Precisamos fazer as “Reformas”, mas os parlamentares se perguntam: Com que cara vão pedir votos em 2018, se serão vistos pelos eleitores como os algozes e responsáveis pelo sacrifício de todos os brasileiros para realizar as mudanças necessárias. O povo gosta mesmo é de políticos que lhes prometam uma “Ilha da Fantasia”. O que fazer? Fatiar as Reformas.

Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.