OS PODRES PODERES DE UM GIGANTE ACÉFALO

Não é com alegria que escrevo este artigo, na verdade, é com uma profunda dor de saber que estamos sem rumo e sem futuro, quando deveríamos estar comemorando a saída da crise sanitária revelada pela Covid-19 ou por quem sabe mais um Nobel em Ciências ou em Literatura, caso não fôssemos tão lesados por estes párias da política nacional. 

O professor Sebastião Cardoso, da UERN, me enviou um documento sobre o desvio gigantesco de dinheiro do Banestado para lavar os roubos bilionários dos nossos parlamentares e gestores eleitos com a ilusão de parte do povo. Esse sofrido povo que fica horas numa fila no dia da eleição, para depositar sua esperança numa urna, não sabe que faz parte de um jogo sujo do poder paralelo e corrupto.

Quem estuda o Brasil sabe, intuitivamente, que o jogo sujo do poder vai além das delações e reportagens que vão ao ar na mídia domesticada brasileira. Eu sei e aí não vou creditar a muita gente essa informação, além da suspeita desse jogo teatral e desacreditado do PSDB e do PT como partidos hegemônicos até a eleição da Dilma. Quem leu outros documentos paralelos e complementares, sabe, com todas as letras, que a subserviência da política brasileira ao poder americano é imoral e se disfarça até no simulacro e elogioso aceno de Obama a Lula. A militância que sustenta cegamente os partidos de esquerda, só precisa de cargos em governos de esquerda e relatórios maquiados para soltar foguetes e comemorar nos bares semi-undergrounds a competência do governo X ou Y que fez o que os outros nunca fizeram. Ignora completamente a engrenagem que sustenta o poder e atribui ao parasitário sentido de governabilidade a grande coalizão de forças para permitir políticas sociais como migalhas. Mas escapa aos sentidos ou ao desconhecimento a grande transferência de rendas aos poderosos de Washington e da elite brasileira. A pobre e estúpida direita só aplaude o que não sabe. Será que tem uma vocação intrínseca para o mau-caratismo? E, quando não é assim, uma preguiça letal de sair do lugar comum para ler um simples artigo de jornal? 

Meu país está com a sua imagem desbotada fora daqui. As agências de espionagem estrangeiras sabem mais sobre nossos segredos do que a ABIN ou a agência secreta (sic) deste governo. Aliás, os órgãos de espionagem agem livremente no Brasil porque a nossa contraespionagem parece mais aquela polícia mexicana que sempre leva a pior nos filmes americanos. Deve ser o complexo de cucaracha ou de cachorro vira-lata, tão em voga hoje.

E como fazer para contar uma outra história? Que legado deixaremos para as gerações futuras? Se eu fosse presidente do Brasil, eu iria gastar a última cédula de real das nossas reservas para zerar os índices de analfabetismo, miséria, ter escolas e saúde de qualidade e perseguir, como um cão farejador, o Nobel de Ciências, por ter sido o que mais investiu em pesquisas e tecnologia. 

Mas dirão que isso é impossível. E eu direi que é. Com estes governantes e parlamentares subservientes que temos, o máximo que a gente consegue conquistar é um estoque exagerado de cloroquina doado pelos Estados Unidos. 

Shit. Je voulais dire, désolé! Não é isso. Qual a palavra em cearensês para isso? Queimaaa!

 

Carlos Gildemar Pontes

Carlos Gildemar Pontes

CARLOS GILDEMAR PONTES - Fortaleza - Ceará Escritor. Professor de Literatura da Universidade Federal de Campina Grande – UFCG. Doutor em Letras UERN. Mestre em Letras UERN. Graduado em Letras UFC. Membro da Academia Cajazeirense de Artes e Letras – ACAL. Foi traduzido para o espanhol e publicado em Cuba nas Revistas Bohemia e Antenas. Vencedor de Prêmios Literários nacionais, regionais e locais. [email protected] Tem 23 livros publicados, dentre os quais Metafísica das partes, 1991 (Coleção Alagadiço Novo, v. 29) – Poesia; O olhar de Narciso. (Prêmio Ceará de Literatura), 1995 – Poesia; O silêncio, 1996. (Literatura Infantil); A miragem do espelho, 1998. (Prêmio Novos Autores Paraibanos) - Conto Super Dicionário de Cearensês, 2000; Literatura (quase sempre) marginal, 2002 – Crítica Literária.; Os gestos do amor: magia e ritual, 2004 – Poesia (Indicado para o Prêmio Portugal Telecom, 2005); Diálogo com a arte: vanguarda, história e imagens, 2005 – Ensaios; A essência filosófica do amor, 2014 – Filosofia/ Comportamento ; Seres ordinários: o anão e outros pobres diabos na literatura, 2014 – Ensaios; Poesia na bagagem, 2018 – Poesia; O olhar tardio de Maria, 2019 – Conto

Mais do autor

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.