Os desatentos com a situação do Brasil, por Haroldo Araújo

A proteção social foi mais do que um instrumento de exploração eleitoral e que se tonou incapaz de aperfeiçoar as boas relações de bem identificadas classes sociais: Empresários e trabalhadores. Trata-se de um discurso recorrente na política e uma péssima abordagem da situação econômico-financeira com baixo PIB. A melhor política de proteção social seria com a adoção de medidas que trouxessem de volta os empregos com a retomada do crescimento.

Evidente que a dificuldade em cumprir a promessa de trazer de volta 4.000.000 (quatro milhões) de desempregados ao mercado formal, vem-se transformando em desafio político e não econômico-financeiro. Acontece que a espinha dorsal das políticas a serem promovidas por Paulo Guedes, têm como ponto primordial o saneamento das contas públicas: Ninguém quer depender de medidas amargas para obter as mais populares (empregos), muito estranho!

Poucos políticos e analistas consagrados conseguem enxergar o que até o povão já está percebendo. Em passado recente, usaram a política de proteção social para não encarar medidas de austeridade. Um contraponto entre Economia e Política, no melhor sentido técnico. As Finanças Públicas pedem socorro e o povo está consciente disso, enquanto alguns xiitas clamam por educação radicalizando com apoio à destruição em movimentos sem nexo.

De outro ponto de vista não se poderia imaginar que governistas e opositores tivessem que enfrentar tal impasse, a ponto de inviabilizar o cumprimento do que foi prometido nas recentes eleições. Guedes quer cumprir as normas de contingenciamento e os parlamentares criam argumentos para não aprovar seus projetos. Paulo Guedes deixou claro que a não aprovação do Crédito Suplementar, inviabilizaria até o pagamento do Bolsa Família. Que oposição é essa?

O pedido de autorização ao Congresso Nacional, mostra que o governo deseja cumprir a Lei e demonstra que não está disposto a transgredir normas. Pelo que se vê essa disputa vai além! Afinal o poder legislativo tem a função fiscalizadora de normas contingenciais e agora dificultam o cumprimento do que tanto defenderam: O Bolsa família. O desafio para o atual governo é optar entre obedecer a Regra de Ouro ou não pagar o Bolsa Família. Uma boa armadilha , sim!

Os que pensaram em continuar desconstruindo gestões saneadoras, inclusive no caso do contingenciamento de despesas discricionárias na educação ou em quaisquer setores que nunca foram priorizados, nem em face de imposição constitucional, perdem o fio da meada. Uma busca pouco racional ao prejudicar a política que permitiria a continuidade da proteção social que governos, afastados recentemente diziam priorizar. Agora viraram opositores e são contra.

Os protestos de estudantes se resguardaram no tema “Educação” e sobre “Cortes”. Os verdadeiros enfoques foram distorcidos, quando manifestantes não atentaram para o que manda a Lei de Responsabilidade Fiscal, mediante contingenciamento legal. Não foi retaliação! Políticos que deveriam fazer essa apreciação da postura do ministro da Educação, preferiram levá-lo ao desgaste mediante convocação que não parecia estar querendo esclarecer nada.

Protestos foram radicalizados e promoveram destruição conforme mostraram as imagens da TV Globo. Ônibus incendiados e apedrejamentos. Afinal as bandeiras dos manifestantes evidenciavam o que pretendiam. Não mudaremos o Brasil, se não tivermos uma classe política que se preocupe bem mais com a luta política do que com a nossa situação econômico-financeira. Não são bons brasileiros os que apoiam a desordem e estimulam confrontos inúteis.

As recentes manifestações com muito espaço na mídia, contaram com apoios da oposição ao governo. Eles esquecem da situação de milhões de desempregados: São políticos desatentos.

Haroldo Araujo

Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.

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