Os bancos enfrentam ameaça ou oportunidade com as Fintechs? por Haroldo Araújo

O avanço tecnológico mais acentuado na área de TI ou “Tecnologia da Informática” trouxe com ele mais um desafio para os Bancos em suas já vitoriosas trajetórias de crescente participação no Mercado Financeiro. Até as Corretoras de Valores foram absorvidas pelos conglomerados. Queixa essa de um membro da antiga Bolsa de Valores do Ceará. Será mesmo assim? Um dos questionamentos é: Será que podemos considerar vitoriosa uma modalidade de negócio que precisa se fundir entre si e comprar outras?.

Fundem-se para obter escala! Que crescimento é esse quer os obriga a realizar constantes reduções em seus quadros [demitem massivamente] para ter resultado capaz de suportar elevados custos de suas monumentais “Sedes” na Avenida Paulista e agências em número elevado, mas que certamente estão programadas para se extinguir, assim como as demissões crescem.

Tudo que se faz em termos de movimentação financeira é com a intermediação exclusiva dos Bancos, certo? Não! Exclusiva já não é mais. Por que? Porque agora teremos a oportunidade de utilizar os serviços mais ágeis e mais em conta das chamadas Startups de Tecnologia. Quais são essas Startups? São as FINTECHS : Um acrônimo de Financial Technology. Há mais de duas décadas que o Brasil anda na frente em termos de automação bancária e era visível também que esse avanço de modo tão acentuado assustava seus usuários! Por que? Por que nas suas agências sumiam os funcionários e elas funcionavam e ainda funcionam com máquinas eletrônicas em quase 80% dos serviços demandados.

Poderíamos considerar virtual uma agência que não tem um só funcionário? Ainda não! Por que? Porque ela (agência) ocupa um espaço físico e tem uma edificação arquitetada para impressionar e atrair correntistas e para cumprir as necessidades de clientes e usuários da atualidade. Essas agências são dotados de equipamentos de grandes proporções, porque cada usuário que para lá se dirige, utiliza-se (cada um dos demandantes) de uma máquina do tamanho de uma geladeira duplex ou maior. Pelo menos umas duas dúzias de equipamentos por agência.

Por outro lado, é impossível imaginar até onde irá chegar a crescente participação do setor financeiro no setor real da economia. A força de influência destes serviços na consecução do ciclo com que o setor financeiro avança no setor real da economia é feita de modo irreversível e causa arrepios pela dependência recíproca. As empresas pagam seus compromissos pela Internet, fazem transferências e aplicações pela mesma via e até contratam empréstimos.

Os bancos desenvolveram aplicativos com cartões e as movimentações de seus clientes foram agilizadas com a evolução de programas de TI (Tecnologia de Informática). Precisaram fundir-se com outros bancos para aumentar a escala (nos referimos à economia de escala). Assim sendo o seu rumo lhes proporciona menores custos por operação de modo que sobreviveram em melhores condições se se adaptando ao momento. São os bancos, hoje, um forte braço de nossa economia inclusive no setor real.

Não há espaço para pequenos, certo? Não, errado! Por que? Porque as Startups de TI que atuam no setor financeiro, as chamadas FINTECHS não têm esses custos que têm os “Bancos”. Os serviços financeiros que eram exclusividade dos bancos entraram na mira desse novo filão de negócios. Os bancos certamente estão assustados, até porque {em termos de custos} não podem competir com as FINTECHS.

Elas (FINTECHS) usam tecnologia de ponta e uma estrutura mais enxuta e conquistam espaços num disputadíssimo mercado financeiro. Fazem movimentação monetária, emissão de cartões, liberação de empréstimos, contratação de seguros, renegociação de dívidas, concessão de crédito, educação financeira e demais gestões de recursos.

No mundo já tem 1.500 FINTECHS e segundo a “The Economist”, uma mundialmente famosa revista britânica, elas (FINTECHS) já receberam cerca de US$ 4 Bilhões no ano de 2013 e esse total quadruplicou em 2014, com expectativa de que em 2015 tenha sido de US$ 20.000.000.000,00. Esse segmento tira o sono dos banqueiros.

Concluo minha apreciação com o esclarecimento prestado por Carmen Nery em revista dos sindicalistas (bancários) em que afirma: “ Se os investidores estão apostando nas FINTECHS é porque elas conseguiram antecipar o futuro, seduzindo a geração que tira o sono dos banqueiros: os millennials, jovens nativos digitais que em cinco anos vão representar 50% da Força de trabalho.

A sabedoria dos banqueiros tem sido a de não tentar enfrentar as FINTECHS, mas ao contrário se aproximar e até utilizar-se desse avanço tecnológico com vistas a aperfeiçoar seus serviços e obter um menor custo e assim sobreviver aos desafios que já lhes são impostos por aficionados em TI.

Esses jovens aficionados em TI e que IMPULSIONAM as FINTECHS são estudantes na faixa etária de 18 a 36 anos, que operam seus IPHONES de qualquer lugar do mundo em que precisarem de um banco, e o farão com mais agilidade do que no interior de uma agência bancária.

Haroldo Araujo

Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.

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