O que a economia brasileira pode esperar de Hillary ou Trump?

Os potenciais efeitos do processo eleitoral americano levam brasileiros a torcerem por uma vitória democrata. A disputa entre o republicano Donald Trump e a democrata Hillary Clinton pode levar a inúmeras consequências sobre a economia brasileira. Os resultados podem gerar inúmeras incertezas sobre o cenário externo. E, como consequência, influenciar o câmbio no Brasil, e ainda gerar efeitos sobre a inflação e a taxa de juros, fazendo com que a possibilidade de recuperação da atividade econômica no Brasil seja ainda mais lenta e traumática.

Ao se traçarem os potenciais cenários de cada candidato, vislumbra-se uma maior estabilidade em caso de eleição de Hillary, dada a perspectiva de continuidade da atual política econômica norte-americana, dado que a economia brasileira necessita de um cenário externo mais estável para seu processo de recuperação. O Brasil ficaria mais voltado para resolver os seus problemas internos, que não são poucos.

Contudo, tem-se o risco de uma maior intervenção na economia norte-americana, com uma maior tributação, o que pode proporcionar efeitos econômicos mais negativos, além de uma perspectiva de elevação gradual dos juros e uma constante avaliação da normalização da política monetária norte-americana.

Já em caso de vitória de Trump, ter-se-ia de imediato um aumento da volatilidade dos mercados e aumento da percepção de risco. Em seus pronunciamentos, ele mostra que suas propostas são muito soltas, seu plano econômico mostra-se bastante confuso. Demonstra que não tem domínio do que seria o plano. É difícil entender o que ele quer.

Seus efeitos para a economia brasileira seriam bem negativos. Não só em relação aos acordos comerciais, dado que sua política externa seria a mais protecionista possível. Também em relação à inflação e os juros no Brasil. Pois levaria a uma maior percepção de risco do mercado, fazendo com que o dólar suba em relação ao real. E com o real mais desvalorizado, dificulta-se o processo de convergência da inflação para o centro da meta, levando o Banco Central brasileiro, já conservado,r a manter a taxa de juros em um patamar elevado.

Ricardo Coimbra

Ricardo Coimbra

Ricardo Coimbra: Mestre em Economia CAEN/UFC, Professor UNI7/Wyden UniFanor UECE/UniFametro, Vice-presidente Apimec/NE, Conselheiro Corecon/CE.

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