O mundo está precisando de estadistas e não de boquirrotos, por Haroldo Araújo

Donald Trump pensa ter descoberto a pólvora, mas na verdade faz um mau uso de cada invencionice. São trivialidades e obviedades como a redução de impostos com sobretaxa de importados. O novo é retroagir em políticas externas com vistas a momentânea situação de insustentáveis resultados econômicos. Tomara que não perca por completo o que o mundo inteiro já sabe que vem perdendo: Uma visão do que seja a vantagem de um mundo globalizado.

Uma visão míope dos aparentes resultados imediatos e sem sustentabilidade, podem causar sérios danos à hegemonia norte-americana. Tudo que um governante pode fazer por seu país é oferecer as condições para que todos tenham igual oportunidade através do bom uso do orçamento público e que seja de modo a permitir melhor competitividade interna e externamente, que sabemos o próprio governo norte-americano ainda detém. Até quando?

Essa política externa de modo protecionista, foi ressuscitada por Trump. Assim é que tem sido capaz de causar danos localizados em alguns países, como de fato já se agiganta na Argentina no campo da economia. O Presidente Macri vinha tentando organizar suas finanças, mas foi atropelado por alterações como aponta Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI, que alerta sobre as crescentes tensões entre EUA e China de modo a gerar a imprevisibilidade econômica.

Após a crise de 2008, os Bancos Centrais de todas as nações criaram uma legislação prudencial capaz de evitar novas ameaças de instabilidades econômico-financeiras à segurança dos mercados financeiros em situações como foi verificada com a falência do Lehman Brothers (Perdas US$ 10 TRI). Ressalte-se a própria reação em cadeia de todos os Bancos Centrais de nações mais ricas do mundo, comprando US$ TRILHÕES para expandir a liquidez internacional.

Sabe-se que essa ação evitou um colapso. Nações em socorro de nações porque há uma interligação nos negócios em todos os setores da economia: Real e Financeiro. A questão é que os governos de países em desenvolvimento se endividaram (emergentes no meio). Ativos supervalorizados e formando bolhas. Como efeito mais grave veio a constatação de uma indisponibilidade das nações desenvolvidas para socorrer seus próprios parceiros comerciais.

Uma provável redução da disposição para cooperação internacional, destaca-se entre o momento atual e o que se verificou em 2008. Agora estamos diante de uma ameaça dessa tendência: Indisposição para a cooperação internacional que se consolida no exato momento em que os países em desenvolvimento apresentam situações financeiras mais fragilizadas. O governante americano, seguramente, não é um estadista e assim sendo os riscos tomam corpo.

Uma tendência que se configura mais consistente, em face da competição geopolítica entre os Estados Unidos e a China. E porque então nós só temos a perder com essa mudança de paradigmas nas relações internacionais? Porque somos uma nação que enfrenta elevado déficit público. Enfrentamos problemas cuja solução vem sendo negligenciada de forma iniqua e incompetente com políticas sem visão de futuro, em que se buscam resultados imediatos.

O mundo inteiro está carente de líderes com visão de futuro (estadistas). Trump inventa a roda e trabalha para o momento e esquece que os avanços alcançados com a cooperação internacional devem se estender, principalmente, às relações comerciais. Uma das primeiras consequências é o desamparo às migrações de famílias inteiras que fogem em busca de oportunidades. Gestores públicos populistas, falsos líderes, que deixarão rastros na história.

Falta de visão estratégica, mistificação oportunista de resultados econômicos sem sustentabilidade e que não oferecem aos povos os bons desdobramentos da cooperação mútua.

 

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Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.