Sérgio Moro, o “imparcial”, por Luiz Regadas


Não tem como não dizer que o golpe dado para tirar a presidenta Dilma Rousseff, não foi feito com o objetivo de por no poder os golpistas a mando do mercado e da ganancia pessoal. Eles tomaram a presidência e desejam a todo custo fazer as reformas contra o trabalhador, privatizar as empresas nacionais entre outros males e para este fim contam com o apoio do judiciário.

Importante lembrar que resolveram bloquear o país em junho de 2013 com a PEC da morte e esta tinha como objetivo quebrar o Brasil e ajudar a eleger Aécio Neves presidente em 2014. No entanto, não tiveram sucesso à época, prova disso foi a confissão, em setembro último, do senador Tasso Jereissati que ele e parte da classe política bloquearam a economia do Brasil para culparem o PT com a alcunha de maus administradores.

O bloqueio fez quebrar o Brasil e geraram milhões de desempregados saindo o Brasil de 4,5% em dezembro de 2013 para 13%, aproximadamente, hoje. Mas vendo que somente a crise econômica que provocaram não seria suficiente para ganharem as eleições de 2018 e nem tão pouco as acusações midiáticas a lá Power Point para evitar o crescimento do ex presidente Lula nas pesquisas tiveram que prendê-lo, para assim tirá-lo das eleições e conseguiram.

Não foi fácil, mas também não foi difícil. Tentaram prendê-lo mais ou menos dois anos antes da decisão de sua prisão em segunda instância, ainda nas “investigações, e não conseguiram com este fato que o mesmo perdesse a simpatia popular e o desejo de vê-lo novamente presidente do Brasil.

A prisão veio em 07 de abril deste ano e mesmo assim até a candidatura do ex presidente Lula ser barrada no TSE ele continuava vivo, crescendo e atingia aproximadamente 40% das intenções de votos em meados de agosto passado. Ou seja, ninguém e nenhuma acusação barrava o crescimento do ex presidente a não ser as arbitrariedades do judiciário do juiz Sérgio Moro com respaldo do TSE, do TRF-4, do STF principalmente. Essa turma passou por cima até mesmo da ONU que disse que o Brasil tinha obrigação de cumprir a sua determinação que dava o direto que Lula exercesse seus diretos políticos já que este é signatário do Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos que assumiu em junho de 2009 por meio do Decreto Legislativo numero 311/2009.

Hoje, após o golpe concretizado pelo voto, descobrimos através do depoimento do General Mourão, vice-presidente eleito, que o “imparcial” já havia sido convidado para ser ministro da justiça ainda nas eleições presidenciais deste ano. E neste mesmo dia, 01 de novembro, lemos em todos os jornais do país que o presidente eleito Jair Bolsonaro convida Sérgio Moro para ser muito ministro da justiça e que o mesmo aceitou.

Parece mentira, ficção, surreal, como um juiz que foi um dos principais atores dessa eleição e que tirou das urnas o ex presidente Lula, outro principal ator político, de concorrer às eleições presidenciais possa aceitar fazer parte desse governo.

Esses fatos tornam a política brasileira uma verdadeira piada e vexame no mundo afora.

Luiz Carlos Prata Regadas

Luiz Carlos Prata Regadas

Sociólogo e Mestre em Políticas Públicas pela Universidade Estadual do Ceará- UECE. Tenho experiência na área de Ciência Política, com ênfase em Política Contemporânea, atuando principalmente nos seguintes temas: política brasileira, geopolítica e influência da grande mídia.

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