O distanciamento de nossos políticos dos problemas econômicos, por Haroldo Araújo

Os riscos de inviabilizar as condições de negócios no Brasil se transformam numa realidade factual. Uma completa irresponsabilidade ante a busca da recuperação econômica. A ameaça se faz sentir por atitudes de completa alienação de nossos parlamentares com relação ao desconhecimento da situação de nossas finanças públicas. Falta a coragem de assumir as indispensáveis correções orçamentárias. A LDO que vai reger o Orçamento de 2018 é exemplo!.

Nossa economia sofre com a aprovação de pautas bomba no Congresso, um tema recorrente! Quem gostava disso está preso. A imprensa noticia projetos que já estão prontos com mais despesas em torno de R$ 70 bilhões! Mas ainda acreditamos no bom senso das autoridades. É importante considerar o peso dos debates na Câmara dos Deputados e do Senado para que tenhamos a melhor expectativa em torno do momento porque passa a economia brasileira.

A própria transição de governo é parte considerável das expectativas e cenários a serem formados pelos detentores do capital em suas decisões de direcionamento de recursos. Cada nação se prepara para competir ao oferecer condições de negócio em disputas internacionais. As condições de nosso país são examinadas em nível global. Todos debatem, como será que o governo que vai assumir, enfrentará as novas diretrizes para o Orçamento de 2019 e sua gestão.

Afinal, nos próximos dois meses, os rumos da economia brasileira estarão sendo discutidos. A nossa responsabilidade como articulista só cresce e a dos eleitores mais ainda. Tudo que se discutir e escrever nesses breves dias, estará sendo alvo de ponderação mundial. É importante deixar evidente que tivemos avanços no que concerne à busca da retomada do crescimento, concomitante ao combate à inflação e, também, ante a maior e mais grave crise brasileira.

Com os avanços nos controles orçamentárias, pode-se verificar que o instinto de sobrevivência de nossos políticos falou mais alto nesse período eleitoral e as reformas que tinham o objetivo de sanear nossas finanças estão sobrestadas. O governo atual, sentindo os efeitos das políticas e da força dos estragos na recente paralização, determinou a injeção de R$ 39 bilhões via saques do PIS/PASEP. O combate à recessão e inflação foi assim: “Uma no cravo e outra na ferradura”.

Pode-se verificar que temos sim, respaldo institucional. Nos aspectos mais técnicos de nossas críticas, já afirmamos que nossas autoridades financeiras também já demonstraram saber dialogar com outros poderes, quando as condições de nossa economia assim exigirem. É preciso que cada uma dessas instituições demonstre cabalmente a sua força no sentido de oferecer a necessária segurança institucional a quantos buscam escolher as oportunidades.

Registrou-se, neste grave momento, internacionalmente, um significativo recuo dos investidores nas aplicações em economias emergentes. A explicação repousa sobremaneira nas migrações das aplicações para países de economias mais avançadas, concomitante com a normalização das taxas de juros destes países. Por essas e outras razões o BCB avalia que há um cuidado com a evolução inflacionária e com a queda das projeções do crescimento.

Vale ressaltar que as instituições lutam para manter viva as expectativas de redução dos déficits e estudam a manutenção da devolução de R$ 70 BI pelo BNDES ao Tesouro Nacional. No mesmo diapasão haverá a entrega de mais de R$ 100 bilhões pelo Banco Central, em resultado de Balanço Patrimonial. As necessidades do Tesouro Nacional para cumprir a Regra de Ouro (governo não pode se endividar para cobrir gastos correntes) giram em torno de R$ 102,9 bilhões.

As Instituições não estão a serviço dos parlamentares, mas a serviço do Brasil e eles também.

Abordamos as dificuldades para oferecer segurança aos aplicadores que se referenciam na situação fiscal de cada país, que esperam que o Banco Central lhes garanta moeda sob controle de riscos inflacionários. Pode-se verificar um perfeito entendimento entre nossas instituições no sentido de garantir essa esperada segurança institucional. Podemos concluir que nossa economia tem respaldo nas instituições: O que todos buscaram e aqui encontraram foi atuação firme, de modo que trouxe junto a necessária confiança e a decisão de ratificar suas posições.

Haroldo Araujo

Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.

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