O déficit de 2016 será só R$170 bilhões? por Ricardo Coimbra

Esta é a grande dúvida que se tem hoje. Será que o déficit primário do governo em 2016 será “apenas” de R$ 170 bilhões? Viu-se que apenas no acumulado dos sete primeiros meses deste ano, o déficit primário já chega a R$ 51,07 bilhões. No mês de julho, este rombo fora de R$ 18,6 bilhões, com um crescimento da ordem de 140% em relação ao resultado negativo do mesmo período do ano anterior, já descontada a inflação do período. Eis o pior resultado das contas do governo federal em 20 anos. No acumulado em 12 meses o déficit já chega a R$ 163,3 bilhões até julho deste ano, o equivalente a R$ 10 bilhões acima do verificado até junho.

Mostra um cenário de difícil controle por parte do novo governo, que, a princípio, mostrou que seria mais efetivo. Parte do crescimento do rombo fiscal pode ser explicado pelo fraco desempenho da arrecadação, em função do baixo nível de atividade econômica.  Também pela dificuldade por parte do governo em cortar gastos em um orçamento com um alto grau de vinculações, e das flexibilizações a diversos atores no início do governo, como a suspensão dos pagamentos das dívidas dos Estados junto a União.

A forte retração econômica derrubou as receitas do governo federal, que recuaram 6,8% no acumulado do ano. Somente a arrecadação de tributos caiu mais (-7,3%). Na outra direção, as despesas cresceram 0,8% acima da inflação até julho, o equivalente a um crescimento de 10,3% em termos nominais. O governo aumentou os gastos com Previdência, subsídios e abono salarial e seguro desemprego, principalmente. E fez corte nas despesas dos ministérios e nos investimentos do PAC. Contudo, em julho, houve o pagamento de R$ 9,8 bilhões em subsídios, subvenções e valores para o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), além de R$ 2,9 bilhões em ajuda emergencial ao município do Rio de Janeiro – em função da Olimpíada.

Leva-nos a crer que os cortes inicialmente implementados e a forma  nova de gerir as contas públicas ainda não demonstram nenhum efeito em seus resultados.

Ricardo Coimbra

Ricardo Coimbra

Mestre em Economia CAEN/UFC, Professor UNI7/DeVry-UNIFANOR/UECE/Fametro, Conselheiro Apimec/NE, Conselheiro Corecon/CE.

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