O carnaval acabou, mas o Banco Central está cada vez mais nu, e continua sambando, por Capablanca

O que o Banco Central do Brasil está fazendo com o dinheiro público está muito perto de ser má-fé. Acompanhem o raciocínio: quando a expectativa de inflação anual estava em 11 por cento, a taxa Selic estava em 14,25% ao ano. O juro real, portanto, estava em pouco mais de 3 por cento ao ano. Eram os tempos de Dilma-Levy, e isso, esse rendimento baixo irritava banqueiros, aplicadores em títulos da dívida pública e os “economistas de mercado”.

Agora, a expectativa de inflação anual já está abaixo de 4,5 por cento e os juros estão em 12,25 por cento ao ano. O juro real, portanto, está em quase 8 por cento ao ano. Enquanto isso, o país vive há dois anos em recessão e o desemprego está nas alturas, uma tragédia para milhões de famílias.

Alguém pode dizer em defesa do Banco Central que isso pode ser apenas incompetência ou negligência, que seriam menos graves do que a má fé. Pode ser, mas não parece, pois ele tem os melhores e mais bem remunerados profissionais da administração pública e o mais sofisticado sistema de informação econômico-financeira, e toda essa aritmética da moeda faz parte do seu cotidiano.

Não haverá nenhum espanto se nas próximas semanas, um dos índices apontar deflação. Deflação é o contrário de inflação. A recessão e o desemprego são tão profundos que nem os setores cartelizados da indústria nacional vão conseguir aumentar preços para o comércio. Afinal, os comerciantes não são tão ingênuos.

Pior do que a atitude e a ação do Banco Central é a política econômica da dupla Temer-Meirelles. Nem se pede que Temer tenha um plano estratégico para o país, ele não seria capaz. Nem se pede que ele tenha uma política econômica coerente e consistente. Pede-se apenas que ele não aja contra o interesse dos brasileiros. Pede-se apenas que ele não aposte no “quanto pior, melhor”. Pede-se apenas que ele não faça propositalmente gol contra.

Infelizmente, é o que parece: a política Temer-Meireles é uma espécie de não-política, ou seja, nada foi ou está sendo feito para reverter a recessão e o desemprego. Executam os dois uma receita que funcionou nesses 2015-2016 para criar uma profunda crise. E segue em 2017 aprofundando-a e alargando-a, interessados apenas nas reformas que o “mercado” exige.

Na avenida da economia, o carnaval acabou, mas o Banco Central está cada vez mais nu, e continua sambando.

Capablanca

Ernesto Luís “Capablanca”, ou simplesmente “Capablanca” (homenagem ao jogador de xadrez) nascido em 1955, desde jovem dedica-se a trabalhar em ONGs com atuação em projetos sociais nas periferias de grandes cidades; não tem formação superior, diz que conhece metade do Brasil e o “que importa” na América do Sul, é colaborador regular de jornais comunitários. Declara-se um progressista,mas decepcionou-se com as experiências políticas e diz que atua na internet de várias formas.

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