O buraco nosso de cada dia – Parte 2 – por JANA

Os buracos entraram na vida da gente e já merecem estudos e pesquisas. Vamos tentar estimular pessoas, instituições e empresas a fazerem suas observações e seus trabalhos científicos. A causa é nobre e pode trazer benefícios para a sociedade. Não, não se trata de fazer auditorias e investigações administrativo-financeiras. Trata-se apenas de avançar no conhecimento e na tecnologia e preparar a sociedade para os buracos futuros. Sem stress.

Os buracos têm seu ciclo de vida. Anualmente aparecem, anualmente desaparecem. Anualmente incomodam, anualmente aliviam a população. Anualmente dão prejuízos a muitos e anualmente dão lucro a alguns. Não há indícios de que seja uma questão ideológica, não formam facções, há buracos de esquerda e de direita, dependendo de quem vai e de quem vem, de quem sobe e de quem desce. E não há vinculações partidárias, eles têm a capacidade de se compor com todos, sem maiores atritos, sem declarações explícitas de lado e de partido. Os buracos são pragmáticos. Dizem que eles frequentam os palácios principalmente no fim da temporada invernosa, a conferir.

Esta claro que eles têm parte com o sol e com a chuva, óbvio. E é óbvio que eles também têm algo a ver com a passagem de carros e caminhões, é claro. Nascem com as chuvas, bronzeiam-se ao sol, mas há indícios de que prosperam mesmo em épocas de seca braba.

Observadores mais atentos, dizem que eles nascem redondos, o que abre um leque de opções de testes e pesquisas, quem sabe encontram-se suas árvores genealógicas. É desafiador descobrir a razão dos buracos para desprezar as outras formas geométricas. Por que não optam por nascer triangulares? E por que circunstâncias evitam a forma quadrada? O que explicaria o desprezo pelos retângulos?

Talvez não seja cabível envolver a comunidade nessa jornada, embora ela pudesse ser de grande ajuda. As pessoas, empresas e instituições que se envolverem com a delicada questão poderiam convocar os internautas para usar seus celulares para fotografar os buracos mais estilosos.  Aqueles que são mais hábeis com as palavras do que com as câmeras escreveriam textos para a imprensa, para antologias e para as redes sociais. E os poetas, ah…os poetas fariam maravilhas com os buracos de todos e de todas, com ou sem rimas. E a juventude poderia ser estimulada a usar seus sprays e desenhar à beira dos pequenos abismos que nos oferecem a engenharia e a administração pública. Uma ideia: podia chamar os craques da gastronomia para criar ao redor dos minúsculos e comportados vulcões. Coachs poderiam desenvolver toda uma teoria empreendedora à beira dessas obras do acaso e fazer maravilhosas “lives”.

Fica a ideia para o ano que vem, quem sabe?

É que para este ano, o assunto perdeu  força e encantamento – a primeira página dos jornais e dos blogs já anunciou: “Governador Investe 259 Milhões em Recuperação de Estradas.”

Assim não tem graça, né?

Jana

Jana

Janete Nassi Freitas, nascida em 1966, fez curso superior de Comunicação, é expert em Administração, trabalhou como executiva de vendas e agora faz consultoria para pequenas e médias empresas, teve atuação em grêmios escolares quando jovem, é avessa a redes sociais embora use a internet, é sobrinha e neta de dois vereadores, mas jamais engajou-se ou sequer chegou a filiar-se a um partido, mas diz adorar um bom debate político. Declara-se uma pessoa “de centro”. Nunca exerceu qualquer função em jornalismo, não tem o diploma nem o registro profissional. Assina todos os textos e inserções na internet como “Jana”.

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