O Brasil já consolidou a democracia, por Haroldo Araújo

Nossas principais lideranças em diferentes correntes de pensamento sofrem contestações que comprovam a existência de um clima favorável à democracia. Nem tudo é perfeito, exemplo maior aconteceu nas artes e na cultura no momento em que sofremos uma catástrofe como a do Museu Nacional, cujas explicações não têm sua origem na falta de investimentos, na conservação e manutenção de suas instalações: A questão é de falta de competência mesmo.

Outros setores também nos trouxeram muita indignação, a exemplo da paralização (ou greve) dos transportes rodoviários que foi capaz de impactar a economia como um todo, com repercussões na interrupção da trajetória de crescimento econômico. Imagine se outros setores resolvessem protestar da mesma forma e na mesma intensidade? Nem mesmo as guerras causam tantos estragos. Países emergente não podem se dar a esse luxo.

No período eleitoral as atividades parlamentares nada produzem. O Congresso Nacional fica como em um recesso branco. A maioria dos parlamentares se candidata à reeleição e as votações ficam sem quórum para as aprovações. Alguns projetos menos polêmicos são votados simbolicamente: “…Aqueles que o aprovam, permaneçam como se encontram!”. Acontece que são os polêmicos que trazem a melhoria das contas públicas, mas não são pautados. Por que?

Se o Presidente Temer viaja para fora do país no período eleitoral e o presidente da câmara, o Sr. Rodrigo Maia, como seu substituto não assume, então quem deveria assumir em seu lugar seria o presidente do Congresso Nacional (segundo substituto). Acontece que ambos são candidatos e não querem se incompatibilizar. imagine se um país pode ficar acéfalo! Os dois têm uma engenhosa forma de não se incompatibilizarem: Viajam, também, para fora do país.

Como se não bastasse a conflituosa situação na política, os rumos estão sem definição pela falta de propostas na política econômico-financeira do governo atual e do próximo governo que assumirá em 2019. Enfrentamos a desconfiança da comunidade financeira internacional, agora agravada com o atentado ao candidato que lidera as pesquisas de intenções de voto e o segundo colocado impedido de se candidatar pela Lei da Ficha Limpa e isso é mais lenha na fogueira.

Ressalto o esforço descomunal do poder judiciário, apesar das críticas que sofre para dar curso aos julgamentos de processos recebidos e não são poucos. Quem acreditou que o Brasil não suportaria essa transição vai se decepcionar porque nossas instituições democráticas vêm cumprindo muito bem o seu papel. Evidente que a população já acordou para a necessidade de se ter garantido um processo que foi capaz de dar curso aos anseios da democracia brasileira.

Na economia e na política o Brasil se firma como um país que foi capaz de suportar tamanho problema e de superar dois anos de contestação de uma política de recuperação em clima de recessão.  O que não conseguimos ainda foi fazer com que os políticos se conscientizem da solidez democrática para mostrar ao povo uma nova atitude ante os desafios para solução de problemas cujo tamanho desconhecemos: O povo espera por mais oportunidade de trabalho.

Esquecem os donos do legislativo que o Brasil é bem maior que suas reeleições. Fato esse que esgarça a necessidade de que os atuais candidatos percebam a existência do singular momento político. Um doloroso processo que somente agora estamos desvendando e que, se ainda não podemos comemorar, pode-se dizer que consolidou a democracia no Brasil. Vale destacar que muitos brasileiros podem informar aos lá de fora que o Brasil cresceu e o gigante acordou.

Como afirmamos, este é um singular momento que trouxe de bom a consolidação democrática em face de ter o próprio povo demonstrar seu amadurecimento que se comprovará nas urnas.

Haroldo Araujo

Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.

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