O amor e seus dilemas, por Leandra Batista

Quando nascemos, somos rodeados pelo amor sublime e incondicional, que nos é dado gratuitamente pelos nossos pais e pela nossa família. Quando crianças, continuamos com esse amor puro dentro de nós; um amor que não abre espaços para sentimentos mesquinhos, porque todas as faltas cometidas para conosco, no mesmo instante, são esquecidas, por não guardarmos mágoas, e logo voltamos a viver na paz que só o amor filial é capaz de proporcionar.

Tudo isso muda quando nos tornamos adultos e começamos a vivenciar o amor Eros, ou seja, incorporar os desejos e paixões. Então, levamos o amor pelo caminho mais difícil, mais tortuoso e, principalmente, mais doloroso, onde o nosso entender de amor passa a ser egoísta. Pensamos sempre na nossa satisfação pessoal, sem lembrar que existe “o outro”, daí nos deparamos com uma reação em cadeia e aí saímos derrubando tudo que vemos pela frente “em nome do amor”. Esse amor egoísta é que faz crescer no nosso âmago sentimentos não tão puros, como o ciúme, a raiva, dentre tantos.

Às vezes me pergunto: os sentimentos ruins, aqueles que enfraquecem o ser humano, estão se sobrepondo ao amor? Em qual momento paramos de lutar pelas coisas boas que ele pode nos proporcionar e nos esforçamos para que ele dê errado? Em que momento da vida o amor deixou de valer à pena? É como se o ser humano adulto fizesse uma distorção de algo tão simples. Talvez estejamos com dificuldades de entender que o amor é um sentimento livre, como folhas secas que o vento leva pra onde quer. Quem sabe estejamos tentando colocar grilhões em um sentimento que não aceita prisões, tentando achar explicações para o inexplicável, esquecendo que no amor só nos cabe vivê-lo e senti-lo, pois, como disse Carlos Drummond de Andrade, “se você sabe explicar o que sente não ama, pois o amor foge de todas as explicações possíveis”

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