A mediocridade aplaudida, por Capablanca

A mediocridade do presidente da República não demorou mais que algumas semanas para ficar evidente e mais que alguns meses para que até a imprensa tradicional, que ajudou a colocá-lo lá, anulando uma eleição que teve mais de cem milhões de votos, fosse obrigada a noticiar e comentar essa evidência.

Até ser posto no comando da República, ele era o homem que uniria o país, retomaria o crescimento da economia e nos conduziria ao futuro. O homem bem casado – com uma mulher bela, discreta e do lar. O constitucionalista. O professor e escritor de livros adotados pela Academia. O articulador político, o costurador de acordos.

Esta versão bem elaborada nunca enganou a todos. Quem não te conhecesse, que te comprasse. A mediocridade do presidente eram favas contadas. Agora não engana a mais ninguém. Ele está lá porque é a pessoa adequada para um serviço sujo, a aprovação de “reformas” que o povo brasileiro rejeitou nas urnas .

E a equipe econômica? Lembram o que se dizia dela? A equipe dos sonhos (o “dream team”), a dupla Henrqiue Meireles – Ilan Goldfajn é o que o Brasil tem de melhor. Força técnica e credibilidade no mercado. Capacidade de formulação e de articulação. Respeito dentro e fora do país. O “mercado” os apoia em peso.

O que eles fariam? Inverteriam as expectativas de negativas para positivas. Baixariam rapidamente os juros e equilibrariam a taxa de câmbio. Retomariam o crescimento da economia antes que o ano de 2016 acabasse. O “investiment grade” seria recuperado num estalar de dedos. E o Brasil seria inundado de novos investimentos. Os problemas fiscais ficariam para trás.

E o que aconteceu?

A inflação tende a zero porque não há demanda. Mas, para conter a demanda (sic), o juro é mantido em patamares reais cada vez mais altos. A taxa de câmbio vive em carrossel, sobe e desce ao som de uma musiquinha cujo maestro é o próprio Banco Central. A inadimplência começa a tomar ares de tragédia. O desemprego para, diminui um pouco, toma fôlego e volta a crescer. Crescimento econômico é mero efeito estatístico (claro, vai subir quando bater no fundo do poço).

É o império da mediocridade. Uma mediocridade estranha, pois ainda há quem a aplauda. Quem é mesmo que continua aplaudindo?

Observe que não há mais nenhum debate público no país quanto à economia. “Reformas” , ‘reformas’ e reformas são a palavra de ordem, o único credo, o mantra fanático e radical, a bomba que vai estourar no colo dos noventa e nove por cento dos brasileiros apenas para tornar mais rico o um por cento.

Capablanca

Capablanca

Ernesto Luís “Capablanca”, ou simplesmente “Capablanca” (homenagem ao jogador de xadrez) nascido em 1955, desde jovem dedica-se a trabalhar em ONGs com atuação em projetos sociais nas periferias de grandes cidades; não tem formação superior, diz que conhece metade do Brasil e o “que importa” na América do Sul, é colaborador regular de jornais comunitários. Declara-se um progressista,mas decepcionou-se com as experiências políticas e diz que atua na internet de várias formas.

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