MANFREDO, 80 ANOS, figura da inteligência e da espiritualidade

É claro contentamento dizer algo significativo sobre Manfredo, ainda que seja breve. Não pela relação de parentesco, visto que ele, Lauro de Oliveira Lima e eu somos primos. Aliás, conheço Manfredo, mais novo do que eu 6 anos (nascido em 27 de fevereiro de 1941), desde que no início da minha adolescência costumava passar minhas férias em Limoeiro do Norte, terra da minha mãe, quando conheci Manfredo na sua infância. Depois, nos azares do tempo, nos distanciamos em nossos percursos, para só voltarmos a conviver a partir dos anos 1970.

Se não estou enganado, parte da beleza do espírito de Manfredo vem da herança de sua formação no Seminário de Olinda que era, na época, uma das instituições mais avançadas da Igreja no Brasil. Depois, sei que ele fez sua Graduação em Filosofia na Faculdade de Filosofia de Fortaleza; em seguida partiu para Roma, onde fez um Mestrado em Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana; para, enfim, realizar seu Doutorado em Filosofia na Universidade de Munique; eis o resumo de seu percurso acadêmico, que jamais parou.

Lembro que ele se ordenou em 1968, mas desde cedo aliou sempre a sua atividade sacerdotal, sua compaixão pelos mais humildes, com seu trabalho universitário. Recordo que quando ele entrou na UFC como Professor de Filosofia, houve um momento, aí pelos anos de 1976, em que dava aulas de Epistemologia das Ciências Sociais, percebi que a ausência de formação filosófica dos alunos se ressentia no quase nulo conhecimento das várias gerações de filosofias das ciências; então, convidei Manfredo, que aceitou programar um curso nessa direção. Sua experiência se alastrou por vários outros domínios, que o fizeram em suas pesquisas e suas produções ocupar largo espaço na inteligência nacional.

Fora seus bons artigos jornalísticos quinzenais, em que se depara com imensa visibilidade sobre os problemas contemporâneos, é mister sublinhar seus inúmeros artigos publicados em vários periódicos; porém, há na concepção de Manfredo um caminho de reflexão que circula permanentemente entre Filosofia e Teologia, com conhecimento de ampla envergadura dos melhores pensadores da cultura contemporânea. Mas um de seus temas prioritários dizem respeito à sua grande análise da Ética em nosso tempo, que está na maioria de seus livros – de memória me vem algo como 20 livros, dos quais me lembro destes: Ética e sociabilidade; Ética e racionalidade moderna; A filosofia na crise da modernidade; Correntes fundamentais da ética contemporânea; Uma abertura para a diversidade de vertentes interpretativas; e outros mais como Antropologia filosófica contemporânea; Subjetividade e inversão teórica; A religião na sociedade urbana e pluralista; etc. Para mim uma das obras mais fundamentais do ponto de vista do pensamento contemporâneo é este livro fundamental: Reviravolta lingüístico-pragmática na filosofia contemporânea (S.P.: Loyola, 1996).

Manfredo é um grande professor, pensador, espiritual, e bom amigo!.

                                                

Eduardo Diatahy B. de Menezes

Dr. Eduardo Diatahy B. de Menezes Professor Emérito da Universidade Federal do Ceará (UFC) Prof. Titular do Doutorado e Mestrado em Sociologia (UFC) Prof. Titular do Departamento de C. Sociais (UECE)

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