Uma noite rústica,
De respingos quentes,
Devaneios concisos,
Insensatez em desalinho.
Via-me em surto nostálgico,
Como quem implora um abraço,
No vazio.
Uma languidez despercebida,
Um soluço alto,
Refém da ausência do desapego.
Os pensamentos, ao férvido,
A sensatez chora,
Os olhos arrastam lágrimas,
Suplica,
Berra,
Grita,
Abrigo!
A saudade,
Eu tenho muita saudade,
Dos sorrisos graciosos,
Munidos de uma verdade pura,
Dos abraços fraternais,
Cobertos de esperança,
E de um frescor vívido,
Que ainda respira em mim.
Eu tenho saudade,
Das coisas antigas,
Velhas de corpo e alma,
Mas eternas,
Que não deixam de ser passadas.
Eu tenho saudade,
Dos sonhos vividos,
Dos abraços calmos,
Do viver,
Sem o peso da aflição.
Tenho saudade do passado,
Do frescor sereno,
Das lamparinas amareladas,
Tremulando na memória,
Do coração manso,
Forrado de humildade.
Ah… os pensamentos me perseguem.
De que é feito a saudade?
Do que não morre?
Do que insiste?
Do que permanece depois da ida?
Das memórias mais verdadeiras,
De cada ser,
Que um dia tocou a alma.
Onde estiveres, lembranças,
Saibam que lembrarei de vós,
Até os últimos dias de cada caminhar.