Lava jato contra o Brasil

Trecho de notícia da revista Carta Capital:

“… Com a torneira do BNDES fechada, duas empreiteiras enroladas na Lava Jato bolaram um jeito de conseguir dinheiro para tocar obras no exterior. Um jeito capaz de gerar ganhos econômicos lá fora, não aqui.

A solução foi descrita em um telegrama enviado ao Itamaraty em 12 de abril pelo embaixador brasileiro em Angola. Paulino Franco de Carvalho Neto relata reuniões recentes tidas em separado com um executivo da Queiroz Galvão, Roberto Carvalho, e outro da Odebrecht, Marcus Azeredo. E ouvido de ambos um mesmo o relato: “subterfúgios legais” usados para arrumar empréstimos e assim levar adiante obras em Angola.

CartaCapital obteve cópia do telegrama. O texto foi enviado a Brasília com o carimbo de “ostensivo”, não de “confidencial”, o que significa que o embaixador queria que o teor fosse de amplo conhecimento dos diplomatas. Até sugeriu mandar uma cópia ao ministério da Economia.

Os “subterfúgios legais” das empresas, segundo o telegrama, consistem na “abertura de sucursais na Europa que as possibilitam ter acesso a financiamento de Alemanha, Reino Unido e Suécia, o que implica comprar de bens e serviços daqueles países, em detrimento de nossas exportações”.

A Queiroz Galvão abriu uma filial em Madrid para pegar crédito no HSBC e para arranjar numa instituição sueca de apoio a exportações, a EKN, garantias para apresentar no empréstimo na Espanha. Com o dinheiro, a construtora executa uma obra de processamento de resíduos sólidos em Luanda, a capital angolana. “Como contrapartida”, escreveu o embaixador, “terá de adquirir máquinas da Volvo” para tocar as obras. Volvo, montadora sediada na Suécia.

Para construir uma estrada de 40km em Angola, a Queiroz Galvão conseguiu financiamento em um banco na Alemanha, inclusive com apoio do governo alemão. Em troca, também terá de comprar bens e serviços na Alemanha, conforme o telegrama.

Já a Odebrecht, relata Carvalho Neto, montou um escritório em Londres, onde a empresa tem obtido empréstimos igualmente com o compromisso de comprar na Inglaterra bens e serviços necessários a obras suas em Angola…”

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