LANÇAMENTO – CRÍTICA DA RAZÃO MESTIÇA: HIBRIDIZAÇÃO E DESORDEM NA FORMAÇÃO DA IDENTIDADE BRASILEIRA

Fruto de inquietações em torno dos conceitos de Nacionalismo, Identidade, Mestiçagem e Cultura, tendo como base a literatura vinculada à formação de uma identidade nacional, Crítica da razão mestiça, de Carlos Gildemar Pontes propõe uma discussão sobre a formação dos conceitos que embasam à noção de identidade nacional, a partir da leitura de alguns autores como: Pero Vaz de Caminha, Gregório de Matos, José de Alencar e Antonio Candido, além de outros escritores, historiadores e críticos.

O ponto de partida de Gildemar Pontes para discussão dos conceitos questionados é tomado a partir da leitura da Carta de Pero Vaz de Caminha, passando por Gregório de Matos e outros autores coloniais, na observância de como a história e a crítica perceberam ou omitiram uma discussão fundamentada em conceitos externos, não pensados pelos estudiosos que elaboraram o cânone. Desta forma, o autor discuti o processo de hibridização ao longo da literatura brasileira até o período romântico, aproveitando a explosão nacionalista que o romantismo exerceu na construção ideológica de uma pretensa identidade. E, em decorrência dessa construção, como se deu a hibridização cultural no período sem educação formal democrática, visto que o modelo de educação jesuítico era voltado para projeto evangelizador destinado a poucos e não a todos.

Gildemar explica que os autores mencionados no texto, que deram suporte para suas reflexões teóricas, nem sempre atendem ao cânone a que foram submetidos os conceitos deste processo no Brasil. Assim, como se trabalham com conceitos deslocados no tempo e no espaço, “podemos reavaliar as perspectivas de repensar os conceitos e elaborar uma teoria gestada por escritores e críticos brasileiros”.

 

“Numa visão crítica decolonial, Crítica da razão mestiça empreende uma discussão que tenta dar conta de compreender os fenômenos da língua, da linguagem e da literatura, em vez de, simplesmente, citar estrangeiros que passam ao largo e desfocados dos problemas oriundos do nosso processo de colonização. A representação do pensamento híbrido terá, na literatura, o seu grande desafio como construção de uma identidade pelo avesso da ordem estabelecida”, finaliza.

 

 

 

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