Joãozinho, o corrupto, por Antonio Weluilson Silva Filho

Joãozinho nasceu na periferia das cidades brasileiras. Não era de família rica, e nem pobre, embora tivesse muitas dificuldades na vida. Quando criança, Joãozinho gostava de extorquir seu pai, se o via com uma mulher diferente, e para não contar à sua mãe, o explorava pedindo dinheiro. A primeira vez que Joãozinho havia sido corrompido fora o seu próprio pai quem oferecera a moeda para que ele não contasse nada. Depois o curso seguiu naturalmente. Uma moeda ou duas o faziam calar, pelo menos por alguns dias. Seus pais eram divorciados, mas eles sempre se encontravam para matar a saudade, e Joãozinho se aproveitava dessas armações sentimentais. O corrupto nascera aquele momento, e Joãozinho o via como uma dádiva, ou mesmo como um legado dos pais.

Na escola, costumava pagar seus colegas para que fizessem suas tarefas, e nos testes trocava as provas para que não tivesse notas baixas. Saiu da escola depois que foi pego roubando pertences dos colegas, e decidiu que já estava na hora de trabalhar, aos dezesseis anos de idade. Joãozinho usava a carteira de estudante do seu irmão mais novo para pagar meia passagem nos ônibus e metrôs. Foi trabalhar de vendedor em uma loja no centro da cidade, ganhando uma “mixaria” como salário.

Com tantas dificuldades trabalhistas, aos dezoito anos ele decidiu criar uma associação sindical para defender seus direitos e de seus colegas de profissão. No entanto, a corrupção que os seus patrões, que sonegavam impostos, praticavam, não conscientizava Joãozinho ao oferecer suborno aos policiais na blitz de trânsito, para escapar de uma vistoria em seu carro irregular.

Depois de algum tempo, Joãozinho tornou-se popular através de seu sindicato, e candidatou-se a deputado estadual, sendo eleito pela classe que ele defendia outrora. Mais tarde foi eleito como deputado federal. Os seus interesses mudaram, e as causas que ele defendia, agora, eram apenas as suas. As pequenas corrupções eram coisas do passado, e passou a transformá-las em coisas grandes.

Participou de todos os esquemas de corrupção. Tinha contas em mais de cincos países, e quando viajava levava dinheiro até na cueca. Sempre que viajava para outros países com o dinheiro pago pelo povo, também levava toda sua família, inclusive a sogra, por quem tinha grande apreço.

De tanto roubar dinheiro público, Joãozinho foi indiciado por corrupção, mas como ele tinha imunidade parlamentar, apenas renunciou a seu cargo político, e o dinheiro que ele roubou nunca mais foi visto. Nada aconteceu a Joãozinho em todos esses anos, e ele viveu livre para sempre.

Moral da história: A corrupção não vem somente lá de cima, começa lá de baixo.

Weluilson Silva

Publicitário, graduado em Comunicação Social (Publicidade e Propaganda) pela Fanor/Devry, Escritor amador/ Romancista (em processo de publicação). Mestrado Incompleto de Gestão de Marketing pelo Instituto Português de Administração em Marketing (IPAM).

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