– IPP – O Imposto Para Pobre – CAPABLANCA

Quando a CPMF foi extinta há dez anos, dizia-se que ela era inflacionária, não tinha função macroeconômica e punia os mais pobres. Tudo ou quase tudo mentira. Aquele tributo era uma coisa complicada e inconveniente apenas para o mercado financeiro.  Sim, claro, porque o sistema financeiro faz, gosta de fazer e precisa fazer centenas ou milhares de operações diárias nos mercados de compra e venda de ações em bolsa de valores, de compra e venda de dólar nas operações (da economia real ou especulativas) de câmbio e nas transações de compra e venda de títulos de renda fixa (públicos e privados). A tal CPMF complicava a vida dos intermediários financeiros, bancos e especuladores. Ao cidadão comum e ao empresário que trabalha e produz pouco importava a CPMF (uma contribuição baixíssima, de cobrança automática, quase nenhum inconveniente). Foi criada em governo liberal e extinta para punir um governo não-liberal.

Agora, outro governo que se diz liberal (sem ser) propõe a volta da contribuição. Calma, não é a mesma coisa. Agora é diferente. Nem tudo foi dito e não há um projeto claro, exposto ao debate da sociedade. Mas as palavras do ministro da Economia Paulo Guedes e o buchicho no mercado financeiro autorizam a seguinte especulação:

– a nova contribuição não taxaria as operações de câmbio, de títulos de renda fixa e de ações;

– a nova contribuição não taxaria movimentação bancária;

– a nova contribuição só taxaria pagamentos bancários;

– a nova contribuição começaria baixinho (0,22% – depois pode crescer e muito);

– a nova contribuição taxaria basicamente pagamento de boletos e débitos de contas de serviços (água, luz, telefone, internet…);

– a nova contribuição seria cem por cento destinada à previdência;

– a nova contribuição isentaria os empresários de contribuir para a previdência.

Pronto, está criada a fórmula Paulo Guedes de diminuir custo da previdência para o empregador e cobrar do trabalhador (e só dele) a aposentadoria. E, é razoável supor, a previdência tomaria a forma de capitalização individual, com o sistema bancário como intermediário.  E com a receita garantida.

Paulo Guedes entraria para a história, claro, como artífice de uma armação ilimitada de um dos dois maiores negócios do século. Só perderia para o negócio do pré-sal.

Capablanca

Capablanca

Ernesto Luís “Capablanca”, ou simplesmente “Capablanca” (homenagem ao jogador de xadrez) nascido em 1955, desde jovem dedica-se a trabalhar em ONGs com atuação em projetos sociais nas periferias de grandes cidades; não tem formação superior, diz que conhece metade do Brasil e o “que importa” na América do Sul, é colaborador regular de jornais comunitários. Declara-se um progressista,mas decepcionou-se com as experiências políticas e diz que atua na internet de várias formas.

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