Interesses do ‘mercado’ versus interesses do país — o Banco Central é o árbitro, por Capablanca

O Banco Central e os jornalistas e economistas “de mercado” fazem um enorme esforço para justificar o injustificável, a taxa de juros que o Tesouro paga para os títulos da dívida pública, definida pelos diretores do próprio BC numa reunião a cada 45 dias do Comitê de Política Monetária (o Copom). Os títulos do Tesouro têm demanda garantida, sempre tiveram, como é praxe em todo o mundo, em todos os mercados. Por uma razão simples: têm garantia absoluta e liquidez plena, como nenhuma outra opção em todo o mercado financeiro.

A demanda é garantida pelas regras de composição dos mais diversos fundos (de investimento, de pensão, de seguradoras, de grandes investidores locais e estrangeiros). E quando não há garantia por regras, a garantia se dá pelo simples bom senso. O Brasil nunca deu calote em sua dívida interna. E o sistema assegura plena liquidez, sempre assegurou.

O terceiro item (depois da segurança e da liquidez) é a rentabilidade. No mundo capitalista desenvolvido a taxa de juros reais está próxima de zero. Nos Estados Unidos o juro básico para o investidor é até 2,25% ao ano, para uma inflação projetada na mesma altura. Em alguns países europeus, o investidor paga para colocar sua poupança em títulos públicos. Isso mesmo, o juro é negativo ( e continua bom negócio, por causa da segurança e da liquidez).

Apesar de tudo isso, o juro real no Brasil está perto de 3% ao ano. A taxa Selic é 6,5% ao ano e a inflação do ano deverá fechar em 3,5% de janeiro a dezembro. Em novembro houve até deflação. Sim, a assustadora deflação.

Nesta tarde desta quarta-feira dia 12 de dezembro o Banco Central deve zelar pelo rendimento dos brasileiros mais ricos e manter a taxa de remuneração do seu capital em 6,5%.

Não custa estranhar: se o BC decidisse baixar a taxa em 1%, apenas 1% ao ano, derrubando-a de 6,5 para 5,5% ao ano, haveria uma economia de mais de trinta bilhões de reais. Isso não depende do Congresso, isso não depende de aprovação do Poder Judiciário, isso está em plena harmonia com as circunstâncias do mercado, isso não tem como provocar inflação, isso não afetaria as metas de concessão de crédito, isso ajudaria a sinalizar positivamente para os agentes do mercado, isso diminuiria o déficit público nominal, isso até poderia influenciar alguma chance de recuperação mais ágil do emprego. Enfim, essa redução estaria em linha com todos os interesses do país.

Mas não estaria em linha com os interesses do “mercado”.

Capablanca

Ernesto Luís “Capablanca”, ou simplesmente “Capablanca” (homenagem ao jogador de xadrez) nascido em 1955, desde jovem dedica-se a trabalhar em ONGs com atuação em projetos sociais nas periferias de grandes cidades; não tem formação superior, diz que conhece metade do Brasil e o “que importa” na América do Sul, é colaborador regular de jornais comunitários. Declara-se um progressista,mas decepcionou-se com as experiências políticas e diz que atua na internet de várias formas.

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