Há Algo de Podre no Reino da Dinamarca, por HAROLDO ARAÚJO

Estamos mal saídos de um período em que as atenções e os olhos dos parlamentares estavam focados nos votos que o reelegeriam. As empresas foram esquecidas dos legisladores no que se relaciona às suas monumentais dificuldades para a própria sobrevivência, senão muitas vezes demonizadas por legislação trabalhista, que foi modificada em ambiente de 13.000.000 (treze milhões) de desempregados, indicador que insiste em não nos abandonar e nem nós a ele.

O consultor, Dr. Dénerson Dias Rocha, publicou um trabalho em que faz uma apreciação de William Shakespeare (1564-1616) na obra “Hamlet”. Este se fingiu de louco para sobreviver. Hamlet foi perseguido ao afirmar que “Havia Algo de Podre no Reino da Dinamarca”. Seu assassino, também foi morto por Hamlet, mas a espada que feriu Hamlet havia sido envenenada, matando-o. Uma luta desigual não é mesmo, um adversário com espada envenenada.

O consultor e autor do trabalho que nos inspira, destaca atenção ao sofrimento dos geradores de valor adicionado (Impostos e empregos). Dramatiza a luta de uma sociedade que se assenta na participação conjunta entre os que geram empregos, os que se empregam e a própria sociedade como um todo. O Estado como mediador das relações não tem sido pródigo no aperfeiçoamento das Leis que dariam maior amparo a esse melhor relacionamento.

O destaque que fazemos ao trabalho do auditor-fiscal da Fazenda de Goiás é, também, ao tempo decorrido em que o auditor e consultor fez o alerta, são decorridos quase dez anos. A situação só fez se agravar.  A preocupação com a situação das empresas e empreendedores, tem como destaque uma luta desigual e que deveria, com a evolução do tempo, ter sido melhor percebida porque seria originária de uma verdade incontestável: Ninguém se toca e nem se manifesta.

O autor esclarece que a Dinamarca é o Brasil e o que está podre é a tributação. O texto do auditor, com data de 16.08.2010, é mais do que uma denúncia contra o arrocho fiscal, contra a ganância arrecadatória no sentido de manter um estado gordo e injusto. No seu texto o auditor fiscal da fazenda de Goiás mostrava a forma cruel com que as autoridades vinham lidando com o agravante da continuada alienação da situação econômico-financeira de nossas empresas.

Em sua analogia com o drama de Hamlet, o Dr. Dénertson afirma: “Somos todos Hamlet”.  A legislação tributária sufoca nossas empresas. Este apelo do auditor-fiscal continuou por todo este tempo e parece que vai continuar. Quanta resiliência de nossos empreendedores e empresas que têm sido capazes de manter o nível de arrecadação em patamares sustentáveis para manter o estado funcionando e sem acompanhamento para se modernizar.

Agora a situação se agrava e a alienação de nossos políticos já não se refere à situação empresarial e dos empregos. Essa alienação ou quase fingimento de loucura vai ao extremo e chega aos beneficiários de seus direitos de auferir os ganhos de suas merecidas aposentadorias que foram honradas mensalmente e descontadas dos salários por toda a vida laborativa. A história se repete e tome discussões de cunho pessoal. O que o povo tem a ver com isso?

Será que vão continuar aumentando o descrédito que já não é pouco. Essa corda já vem sendo esticada faz tempo. Primeiro são as empresas a serem abandonadas e junto os empregos. Agora são os beneficiários de suas contribuições para ter direito à uma velhice digna. Pronto meus caros leitores, quero falar de dignidade sim. Tudo que nunca pensei que precisaria ser cobrado dos nossos gestores e legisladores componentes de uma sociedade que precisa continuar.

Por mais que possa não ser uma analogia perfeita ao drama shakespeariano de Hamlet, vale a intenção de denunciar: Há Algo de Podre no Reino da Dinamarca!

Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.