GUILHERME BOULOS, A JOVEM APOSTA DA ESQUERDA BRASILEIRA, por Eduardo Fontenele

Guilherme Boulos é o mais jovem pré-candidato à Presidente da República da história do Brasil. Com apenas 36 anos de vida, mas com uma longa estrada de vinte e um anos percorrida na militância do movimento estudantil, militou pela União da Juventude Comunista (UJC) e depois pelo MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto). Recentemente filiado ao PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), Boulos logo se tornou o preferido do partido para representá-lo nas urnas.

A escolha do partido por Boulos logo gerou controvérsia entre os membros da legenda que concorriam contra ele pela posição de candidato. Boulos concorreu nas prévias do partido com nomes como Plínio de Arruda Sampaio Jr, Nildo Ouriques e Hamilton Assis. Sampaio é filho do falecido político que concorreu à presidência em 2010, com Assis como vice.

Outra fonte de descontentamento seria a ligação de Boulos com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. O PSOL foi criado por dissidentes expulsos do PT durante o Governo Lula (2003-2011), por discordarem da Reforma da Previdência realizada durante o mandato de Lula.

O posicionamento ideológico do PSOL é considerado de esquerda, como o PT, mas uma esquerda mais radical e não tão tradicional quanto a legenda petista. Os membros do PSOL são críticos ferrenhos dos rumos que o PT tomou nos últimos anos. Os psolistas acusam o PT de se aliar a políticos infames de direita como José Sarney, Henrique Meireles, Renan Calheiros e Michel Temer, ambos do MDB, cedendo a vice-presidência a Temer no Governo Dilma Housseff (2011-2016).

Boulos fez duras críticas ao pré-candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro (PP), chamando-o de “criminoso”, após Bolsonaro referir–se em uma declaração ao MTST como “marginais”. Boulos o acusou ainda de fazer apologia ao estupro e de tecer comentários racistas. Além de acusá-lo de utilizar o auxílio moradia, pago com dinheiro público e destinado a servidores que sejam deslocados para Brasília, mesmo tendo casa própria.

Entre as propostas de governo de Boulos, em caso de uma possível vitória, a principal é “convocar um plebiscito para que o povo brasileiro decida se quer revogar ou manter as medidas tomadas pelo governo ilegítimo de Michel Temer, que não têm aval do povo brasileiro”.

Guilherme Boulos parece o homem certo para o momento político brasileiro, intelectual radical, professor, psicólogo, escritor, filósofo, ativista pelos direitos dos mais pobres e oprimidos. Sua luta se refletiu até na escolha de sua vice, Sônia Guajajara, também professora, e militante pela causa indígena.

Sônia é uma defensora do meio ambiente ferrenha, ativista pela demarcação das terras da Amazônia, foi convidada pela cantora norte-americana Alicia Keys para subir ao palco em um show que fez no Brasil em 2017, para discursar aos gritos do público de “Fora Temer!”.

Nesta época de polarizações extremas, dois militantes radicais seriam uma excelente escolha por representar a pureza do pensamento da esquerda, sem interferências de conchavos e alianças espúrias, meramente eleitoreiras.

Eduardo Fontenele

Eduardo Fontenele

Eduardo Fontenele formou-se em jornalismo pela Devry Fanor em 2016, publicou o livro de contos Abstrações em 2017 e é administrador dos blogs Drops de Filmes e Pensando desde 1978.

Mais do autor

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *