Golpes voltam à América Latina: desde 2009 no Paraguai e em Honduras em 2012 – LUIZ REGADAS

Reforço minha persistência no tema: o Brasil pode ser a bola da vez se tentarmos tirar o Bolsonaro do poder, se tentarmos impedir o plano dos EUA no Brasil. Estamos, sim, por um fio. As táticas em alguns países golpeados foram semelhantes: primeiro, tentam ganhar as eleições presidenciais, quando não ganham, abrem o processo de golpe. Caso ganhem, governam até onde podem e buscam fazer as reformas neoliberais e assim extraem tudo que for possível desse país, dessa colônia, e enviam tudo para os EUA, que são os donos do capital. Essa nova fase da geopolítica dos EUA é fruto ainda da crise de 2008, que levou à intensificação na busca de novos mercados, para não perderem o domínio do mundo como vinham perdendo para a China.

Escrevi, faz uns dias, que “Os EUA farão o necessário para manter assim o Brasil, por “n” fatores (como petróleo, sua importância na América do Sul etc). Logo, como já avisado, se formos às ruas sem força, o presidente Jair Bolsonaro terá apoio americano para pôr o exército na rua e, acontecendo, o “caldo” tende a engrossar, abrindo possibilidades da edição do novo AI-5 ou outros atos para institucionalizar um golpe dentro do golpe, e mais uma vez um período sombrio ao Brasil.” Logo, não duvidem se o Brasil vier a sofrer intervenção militar de forma direta, pois indiretamente eles já estão no governo do presidente Jair Bolsonaro.

Em relação ao golpe dado na Bolívia, com a renúncia do presidente Evo Morales o mundo agora está sabendo que estão sendo expedidas ordens de prisão contra o presidente deposto entre outros esquerdistas, indígenas. Mas, ORDEM?

Sim, pois essa “ordem” ao ser dada passa toda uma legalidade jurídica para ludibriarem os habitantes do pais golpeado e outros do mundo e passar a impressão que tudo foi feito com base legal na constituição do país, constituição essa que muitas vezes é criada por esse grupo que está dando o golpe que é a elite junto com seus militares entre outros e tradicionalmente com o apoio dos Estados Unidos. O modus operandi é prender, matar, esquartejar em quem for oposição. Buscam calar a todos, pois seu objetivo é não deixar ninguém que posso se rebelar contra o sistema. Estes, dificilmente sabem conviver com os que pensam diferente, com a democracia e a impõem normalmente pelo medo, pela repressão seja ela policial, religiosa e midiática. Interessante leitura da obra Punir e Vigiar, de Michel Foucault, pois ele trata bem sobre como controlar a sociedade e acredito que vai ao encontro da forma de agir da elite mundial para chegar ao poder e governar.

Importante lembrar que governos socialistas ou movimentos socialistas que deram certo devem ser extinguidos da história para nunca mais voltarem a ser exemplo. No Brasil tivemos movimentos como o Caldeirão que aconteceu no Crato – Ce, na serra do Araripe, e o grande líder foi Beato Zé Lourenço que junto com os seus seguidores, romeiros, construíram nessa fazenda, doada por Padre Cícero, uma grande comunidade onde tinha água o ano todo, produziam suas ferramentas de trabalho, faziam suas próprias roupas e calçados. Ou seja, viviam da própria terra e não precisam ser “escravos”, vender sua mão de obra, de forma barata aos fazendeiros da região, fato esse que gerou descontentamento nos coronéis que passaram a considerar a comunidade como uma má influência.

Com a morte do Padre Cícero em 1934 e o aumento do poder do beato entre os romeiros a fazenda Caldeirão foi crescendo e chegou a ter aproximadamente um mil habitantes. Foi aí que Políticos, donos de terra, justiça e a igreja se juntaram e montaram um plano para destruir a fazenda. Em 1937 Caldeirão foi invadida e destruída pelas tropas do exército de Getúlio Vargas e o pretexto para a destruição é que eram comunistas. Mataram, oficialmente, quatrocentos pessoas. No entanto, outros dados dizem que número de mortos é bem maior e pode chegar a um mil. O beato José Lourenço e alguns romeiros conseguiram fugir.

Assim, como esse movimento tivemos o de Canudos entre outros no Brasil e no mundo que comprovam que o capital mostra, mais uma vez, que não aceita divergência, que os passos de seus “escravos” são vigiados e seu limite é não mexerem no bolso deles. Se a briga envolvesse a Europa teríamos uma Terceira Guerra Mundial, mas como envolve as colônias somente dos EUA não a teremos. A Europa também tem suas colônias, alguns países da África, já os EUA tem a América do Sul. Sem esses “escravos”, sem essas colônias esses países NUNCA seriam de primeiro mundo.

Luiz Carlos Prata Regadas

Luiz Carlos Prata Regadas

Sociólogo e Mestre em Políticas Públicas pela Universidade Estadual do Ceará- UECE. Tenho experiência na área de Ciência Política, com ênfase em Política Contemporânea, atuando principalmente nos seguintes temas: política brasileira, geopolítica e influência da grande mídia.

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