Fora Temer ou fora reformas? por Luis Eduardo Barros

Por mais que admitamos que o Governo Temer vinha caminhando com razoável acerto na área econômica e que os áudios pareçam manipulados, sou obrigado a reconhecer que, ao receber um megaempresário, tarde da noite, sem registro na agenda oficial e ouvir sobre crimes praticados pelo acusado, constitui, no mínimo, crime de responsabilidade. E a lei brasileira prevê penalidades para crimes de responsabilidade praticados por Presidente da República, como vivenciamos ano passado. Crime é crime. Não interessa a dimensão nem a intenção. “Dura lex, sed lex”. A Lei é dura, mas é a Lei.

Mesmo estarrecido pelos fatos desoláveis, temos que reconhecer que Lei não se discute, cumpre-se. O inquietante é que os gritos de “Fora Temer”, em pouco tempo foram ouvidos do Oiapoque ao Chuí, mas, ao apurarmos o ouvido para identificar as razões que motivavam parte do povo a querer o impedimento do Presidente que – após intenso esforço, estava conduzindo a economia para o princípio da recuperação e aproximava-se para aprovar algumas das reformas tão ansiosamente esperadas pela nação brasileira – constatamos que a maior parte da revolta contra Temer era estar pretendendo aprovar as reformas!

Será que parte do povo quer a saída do Temer por considerar sua gestão nefasta ao País ou por que ele pretende reformas que vão acabar com os privilégios de algumas categorias? Será que os seus opositores querem sua saída imediata, por temerem – não dá para evitar o trocadilho – que se tiver tempo suficiente ele aprova as reformas iniciais e a economia começa a melhorar, dificultando suas frágeis esperanças eleitorais?

Essas indagações tornaram-se importantes, na medida em que as expressões de “Fora Temer” estão sendo seguidas por explosões emocionais contra as reformas. Pouco se critica o Temer a não ser a insistência em chamá-lo de golpista por ter seguido a Constituição. Como esta parte do povo também está bradando por Diretas Já, alegando que o Congresso atual não tem moral para eleger o eventual substituto do Temer, como prevê a Constituição, cabe a pergunta: se no dicionário deles “golpista” é quem quer cumprir a Constituição, como se denominar quem quer enxovalhar a carta magna sempre que seus interesses são contrariados?

O fato é que a situação política, que estava crítica, deteriorou-se mais ainda, carregando consigo as tênues esperanças de retomada do crescimento que estavam se esboçando ao longo de maio. No meu modesto entender, “Fora Temer” não é o melhor para o Brasil, embora seja legal. Mas, “Fora Reformas” é desnecessário e ilegítimo, pois as esperanças de toda a nação seriam frustradas para manter os privilégios de poucos.

Luís Eduardo Fontenelle Barros

Luís Eduardo Fontenelle Barros

Economista e consultor empresarial.

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