Explicando o fascismo

Trecho de artigo do historiador Fernando Horta no Jornal GGN:

“…fenômeno do fascismo, se desenvolvendo de forma rápida e diante dos nossos olhos. Uma das características do fascismo, que o torna um fenômeno de massas, é o acolhimento que ele oferece às populações mais pobres. Tão de pronto estas populações entendam o “seu lugar” na sociedade fascista, elas são acolhidas pelo movimento e acabam – alguns pela primeira vez – se sentindo efetivamente parte de algo. No fascismo os negros vão servir de mão de obra barata em profissões perigosas ou que sejam entendidas não dignas aos brancos. Vão até serem “branqueados” para ficarem “mais bonitos”, como disse o vice-general Mourão. Estes grupos se se submeterem a este papel, serão até aceitos. O exército, por exemplo, se gaba não ser racista, mas um pequeno cálculo comparando os soldados, cabos e sargentos negros com o número percentual de generais negros é suficiente para desmontar esta tese.

As mulheres enfrentarão a mesma coisa. As submissas e que aceitem o espaço social de “mãe” são toleradas e até elogiadas por “saberem o seu lugar”. O resto é espezinhada. Populações LGBT que se esconderem serão admitidos, índios, quilombolas e todas as outras minorias, da mesma forma. Ocorre que o nível de opressão a estes grupos sobe de tal forma que o indivíduo simplesmente sucumbe ante a promessa fascista. Entre viver resistindo ao fascismo e eternamente com medo, e se tornar um fascista que legitima o movimento (ainda que ao custo de se silenciar), muitos preferem o segundo papel. E esta “acolhida” que o fascismo faz, normalmente vem envolta em loas de patriotismo e religiosidade. Entre a violência e a aceitação muitos abrem mão de lutar, seja porque são psicológica ou socialmente mais frágeis, seja porque não veem sentido em erguer uma bandeira que já julgam perdida…”

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