A ética da multidão

Um condenado é levado ao cadafalso numa carroça, junto com outros. Está com seu cãozinho, que o seguiu. Antes de subir para o suplício, volta-se para a multidão para saber se alguém quer adotá-lo. O animal é muito afetuoso, esclarece. E a multidão responde-lhe com palavrões. Os guardas impacientam-se a arrancam o cachorro das mãos do condenado, que é imediatamente guilhotinado. O cão, ganindo, vai lamber o sangue do seu dono, na cesta. Irritados, os guardas terminam por matar o cão a golpes de baioneta. Então, a multidão investe contra os guardas. “Assassinos! Não têm vergonha?! Que mal lhes fez esse cãozinho?!”

(Esta história verídica, contada originalmente pelo escritor Restif de La Bretonne no livro Noites de Paris, é citada no livro “Não contem com o fim do livro”, de Umberto Eco e Jean-Claude Carrière)

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