EM BUSCA DA COERÊNCIA, por Adriana Alcântara

Vivemos tempos difíceis, escrevi isto outro dia. Impossível pensar sem sentir dor. A reflexão sobre atos significativos de política, fazer política, pensar política, tudo parece difícil e assistimos às noticias com aquela impressão de que o pior está por vir.

Leio Giovanni Sartori que, longe dos nossos conflitos, tenta desfazer o mal-entendido antigo que fazia confundir partidos e facções. No seu esforço diz que os primeiros são necessários como canais de expressão e afirma, que o partido lança seu próprio peso nas reivindicações a que se sente obrigado a fazer eco. Verdade. A representação inexiste sem a figura dos partidos políticos. Mas, até que ponto as tais reivindicações traduzem as esperanças de seus eleitores? Os partidos estariam se afastando do seu eleitorado na luta árdua de se aproximar do poder?

Me refiro agora à reforma da previdência, discutida e votada de forma açodada como se a pretensão de agradar o mestre seja a pauta do dia. O país desce a ladeira do bom senso com seus políticos comprometidos sabe-se lá com quem. Facilmente observamos o placar; pelo menos para isso as redes sociais nos ajudam trazendo de forma rápida de onde saíram os 379 votos que aprovaram o texto base da reforma da previdência, alçada pelos governistas como sendo o remédio para todos os males.

É possível observar que os partidos de oposição se posicionaram contra a reforma e entre estes encontramos o PDT com oito deputados que votaram a favor da reforma, contrariando a decisão do partido. Da mesma forma o PSB teve onze deputados a favor da reforma. PT, PSOL, PCdoB e REDE fecharam contra a reforma e usam de estratégias para vencer destaques, barrar alguns pontos, tudo em vão: a Reforma da Previdência vai passar da forma que o governo quiser. A oposição é pequena e esmagada pela força dos governistas.

A favor da reforma da previdência contabiliza-se dezessete partidos. Tiririca  do PL votou contra a reforma, assim como  3 deputados do PP,  2 do PSD, 2 do PRB, 1 do PSDB, 1 do SOLIDARIEDADE, 3 do PROS, 1 do PSC e 1 do AVANTE.   O Partido Verde liberou seus parlamentares para votarem. Serão os partidos canais de expressão ou transmissão dos anseios dos eleitores?

Adriana Soares Alcantara

Mestre e Doutoranda em Planejamento e Políticas Públicas da UECE Pesquisadora integrante do Grupo de Pesquisa da UECE na linha "Política faccionada e atuação dos partidos políticos em âmbito subnacional". Servidora do TRE e Integrante da Comissão de Participação Feminina CPFem