A elite brasileira não consegue combinar com o povo, por Luís Eduardo Barros

A reação do mercado financeiro à consolidação das tendências de voto pró Bolsonaro na semana final da eleição de 2018, com a baixa no valor do Dólar e o aumento da Bolsa, é uma confirmação irretorquível – na minha opinião – de que o mercado finalmente adotou o candidato do PSL. Confirmando assim que a elite brasileira permanecia tendo Alckmin como um candidato mais confiável, até que teve de reconhecer que o povo estava preferindo Bolsonaro.

Entendo que a linguagem de Bolsonaro como declaradamente contra o Petismo, contra a corrupção, contra os privilégios e a favor de ideias conservadoras no campo social foi claramente compreendida e abraçada pelo povo brasileiro. Observe-se que o Bolsonaro falou de reformas, sem muita ênfase para os problemas econômicos, o que preocupou inicialmente o mercado financeiro e a elite.

Ora, como economista entendo ser indispensável um conjunto de reformas para ajustar a economia brasileira e proporcionar condições objetivas de crescimento sustentável. Acontece que o povo em geral não entende de economia e a elite brasileira insiste em não compreender o povo e arrogantemente exigir que o povo entenda seus propósitos, não merecendo mais explicações. Bolsonaro entendeu isso e disse o que o povo queria ouvir e as pesquisas estão mostrando que foi compreendido. A mensagem terminou sendo mais importante que o meio, pois ele não tinha tempo de televisão, máquina administrativa, militância partidária e passou parte crucial da reta final da campanha no hospital.

Contra os fatos não adiantam argumentos. Tudo sinaliza a vitória de Bolsonaro, podendo ser até no primeiro turno, contra diversos prognósticos, inclusive o meu, pois também acreditava numa racionalidade que não deveria ser esperada de um povo abandonado por suas elites.

Mesmo não sendo apoiador de Bolsonaro e temendo surpresas, compreendo que o povo está dizendo que não quer mais o Petismo, o que acho bom para o País. Compreendo também que a elite tradicional do Brasil precisa aprender a se comunicar com o povo e levar em conta suas necessidades, sem o que continuará perdendo as eleições seja para os radicais de esquerda como para os radicais de direita, sem encontrar a segurança do equilíbrio

Luís Eduardo Fontenelle Barros

Luís Eduardo Fontenelle Barros

Economista e consultor empresarial.

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