ELEIÇÕES 2020 NORMAS PARA QUÊ? – IV – O DIA 4 DE ABRIL, A CAMPANHA E O CORONAVÍRUS

O título desse artigo poderia ser qualquer um desde que conectado com a pandemia que paralisou a vida de todos os brasileiros há poucos dias. Faço um corte na matéria e digo isso para falar só do cenário político, como se pedisse perdão por não lamentar as milhares de mortes. Não vou falar da desgraça que se abateu sobre nós: falo da campanha para as eleições de 2020, apenas um detalhe.

E digo isso, porque o ambiente político partidário, a nível municipal foi tomado por uma convulsão esses últimos dias: com a suspensão dos atendimentos presenciais os procedimentos antes rotineiros tiveram que ser refeitos. E para quem pensava que a Justiça Eleitoral poderia ser extinta, vai a lição: pode não. Orientações foram repassadas, sistemas revistos, servidores de plantão, tudo para socorrer os que ainda não tinham anotado os órgãos partidários e feito suas filiações. Meu objeto de pesquisa está garantido: a organização partidária. Tudo se comprova, os partidos precisam ser estudados academicamente, sem o pragmatismo de quem só se preocupa com eleições e resultados.

O direito partidário precisa fazer parte dos estudos eleitorais, mas de um modo sério, cuidadoso e contínuo. É só ver os remendos que foram feitos a toque de caixa: um amigo da Bahia validou mil anotações, saiu no jornal. Há no Ceará órgãos que estavam extintos desde 2015 e foram ativados agora com duração até depois da eleição. E depois?

E assim, hoje, 4 de abril de 2020 é um dia importante. Ontem, 3 de abril, a janela se fechou. Hoje temos políticos em partidos que não patrocinaram sua candidatura e não podemos chamá-los de infiéis, estão dentro de uma casa que não era a sua. Transferiram domicílios, mudaram de partidos e agora apresentam seus nomes à escolha dos partidos para, depois, se apresentarem ao eleitorado.

Mas os sonhos possíveis podem ser obstaculizados pela pandemia e seus efeitos. Como será essa campanha? Todos de casa gerenciando seus interesses do jeito que dá, fazendo de tudo para que aconteça. Conseguirá o brasileiro fazer campanha local sem o corpo a corpo de sempre? É uma pergunta que só o tempo responderá.

Por ora, é importante que partidos e filiados, pré candidatos ou não, acompanhem o andamento dos acontecimentos e observem os desdobramentos. Desde a regularização do título, com o alistamento ou a transferência na Zona em que pretende ser candidato até a verificação de que seu nome conste na lista oficial do partido, são atos obrigatórios. As consultas podem ser feitas no sítio da Justiça Eleitoral no final do mês de abril.

Adriana Soares Alcantara

Doutoranda em Planejamento e Politicas Públicas na área de Ciência Política na Universidade Estadual do Ceará, Mestre em Planejamento e Políticas Públicas pela UECE, especialista em Direito e Processo Eleitoral pela ESMEC, Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Ceará, Tecnica Judiciária do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará.

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