Dívida pública: cenário de mais crescimento, por Ricardo Coimbra

Os reflexos dos seguidos déficits, provocados pelo crescimento das despesas públicas, atrelados à queda nas receitas, em virtude da forte retração da atividade econômica, vêm elevando significativamente a dívida pública.

Segundo o Tesouro Nacional, o crescimento da Dívida Pública Federal em termos nominais foi de 2,38% em março, fazendo com que chegasse a R$ 2,886 trilhões. Parte significativa, ou quase a totalidade desta é interna, ou seja, com um valor de para R$ 2,753 trilhões e que teve, no mesmo período, um aumento de 2,81%. Levando a crer que com a manutenção da Selic em 14,25% a.a. na reunião de abril, só tende a aumentar nos próximos meses.

O que ocorre em movimento contrário em relação à Dívida Federal Externa, que teve queda de 5,7%% em relação a fevereiro, principalmente, pela valorização da moeda brasileira em relação ao dólar e euro, fazendo com que esta chegasse a R$ 133,19 bilhões (US$ 37,43 bilhões).

Outro as aspecto nada animador está relacionado ao prazo da dívida, que vem diminuindo. O prazo médio da dívida interna saiu de 4,56 anos em fevereiro e foi para em 4,47 anos, em março. Além de movimentações em relação à expectativa em relação às taxas futuras, na dívida interna, que fez com que a participação de papéis pós-fixados tivessem uma queda de 26,42% para 26,13%, em detrimento do crescimento de papéis prefixados de 38,10% para 38,58%. E ainda os indexados a índices de preços, saíram de 34,79% para 34,68% e os corrigidos pelo câmbio saíram de 0,69%, para 0,61%.

Outro fator que merece destaque é a queda da participação de investidores estrangeiros na composição da dívida que foi reduzida de 17,72% para 16,73%. Saindo de R$ 474,66 bilhões para R$ 460,73 bilhões, em termos absolutos. Já em relação as instituições financeiras, estas, aumentaram sua participação de 23,62% para 24,28%. Quanto aos fundos de investimento saíram de 20,70% para 20,96%. O governo aumentou sua fatia de 5,67% para 5,76%. Já as instituições de previdência e as seguradoras se mantiveram praticamente estáveis. Mostrando que este cenário incerto deve persistir impactando a evolução da dívida pública.

Ricardo Coimbra

Ricardo Coimbra

Ricardo Coimbra: Mestre em Economia CAEN/UFC, Professor UNI7/Wyden UniFanor UECE/UniFametro, Vice-presidente Apimec/NE, Conselheiro Corecon/CE.

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