Democracia assegura credibilidade até na economia, por Haroldo Araújo

Os analistas fazem críticas às diversas formas de democracia reinante e estão certos. Que tipo de democracia poderia se sustentar sem uma agenda governamental que priorizasse a vontade popular? O comando de um só líder em prol dos interesses de todos, seria legitimado se houvesse constantes aperfeiçoamentos. A evolução de alguns recursos tecnológicos e da produção promovem aparentes descuidos com a modernização de ritos, regimentos e normas.

Nossa democracia não comporta descuidos. Vivemos o estado de direito e não do mais forte, como muitos hão de pensar e admitem. Uma democracia representativa, portanto, tem sido nossa âncora para os problemas políticos. Um sistema bicameral em que nossos representantes na Câmara Federal e no Senado nos garantem um Estado organizado de tal forma que pode exercer, democraticamente, o seu poder sobre a sociedade, mas é preciso fazer correções.

Maior comunicação entre os que detêm o poder político e o povo, teria permitido uma constante atualização dessas normas, regimentos e até ritos processuais. Os benefícios salariais são exacerbados e iníquos na comparação com ganhos médios da maioria das pessoas de nossa sociedade. Os analistas admitem que cada sociedade é única em muitas de suas feições e, por essa razão, as imperfeições são tantas quantas são as sociedades e estruturas de poder

As críticas da imprensa são válidas e construtivas, mas precisam ser direcionadas adequadamente à exacerbação dessa situação causadora do aumento da iniquidade. Os ganhos pessoais recebidos dos cofres públicos se juntam às regalias. Fatos que se somam aos escândalos causados por gestões deficientes que também tiram a credibilidade do controle orçamentário em função da exiguidade dos recursos e frente às demandas da sociedade.

Assim como um forte arcabouço de estrutura de poder tem sido uma garantia da continuidade dessas imperfeições, também garante ao nosso povo uma sociedade capaz de se reinventar e capaz de promover a sua continuidade. Certamente com aumento das gritantes falhas no atendimento às demandas dos mais desfavorecidos, nas áreas mais afetadas e temos sido exaustivos em apontar: Saúde, educação e segurança.

Acontece que não convém esticar tanto essa corda e alertar aos nossos parlamentares para que possam preservar essa estabilidade de funcionamento da governabilidade e que tem sido o esteio da recuperação de inúmeras crises sociais e econômicas. Em síntese é preciso garantir a nossa tão criticada democracia, como são criticadas todas as outras “democracias” em nossas vizinhanças, que não foram tão tempestivas em realizar as correções aqui requeridas.

As correções requeridas são reformas que muitas nações avançadas na “Zona do Euro” também tiveram que fazer para salvar o melhor que possuem: Uma democracia capaz de dar amparo ao bom convívio social. As nossas reformas estão atrasadas em mais de uma década e não podemos tergiversar com críticas que sabemos contribuem para o próprio aperfeiçoamento da nossa democracia representativa, ela é considerada muito ruim, certamente, mas pior seria sem ela.

Outro grande setor que conseguiu atravessar, com muito sacrifício, o que já se configura em nova crise, foi o econômico-financeiro. De 2009 para cá, são 10 anos, tivemos 4 presidentes: 1 está preso, outros dois sofrem contestações de gestão e o atual s recupera de atentado à faca. Portanto, envio um alerta aos nossos representantes para que compreendam que nossa democracia precisa fazer as reformas, o quanto antes e nos garantir o melhor: Sua continuidade.

A confiança e a credibilidade voltarão e a recuperação de nossa economia depende dessa credibilidade.  A agenda governamental que nos garantirá a democracia é a das reformas.

 

Haroldo Araujo

Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.

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