DECLARAÇÃO DE VOTO NA ELEIÇÃO DE 2018, por Luís Eduardo Barros

Como não costumo fugir de desafios, mesmo sendo o voto secreto um direito constitucional, entendo ser importante fazer minha declaração de voto na eleição presidencial de 2018. Entre outros motivos porque, na minha opinião, as opiniões estão dispersas numa miríade de abordagens e poucas tratam, objetivamente, da eleição presidencial de 2018. É importante lembrar que não estão votando num plebiscito, muito menos numa constituinte. O arcabouço jurídico, social e econômico não está sendo objeto de votação. Apenas quem vai ser o responsável pelo presidencialismo de coalizão nos próximos quatro anos.

Esse parece ser um detalhe pouco considerado pela maioria dos opinantes. Para efetuar qualquer mudança real, o novo presidente precisará ter capacidade política de aprovar seus projetos no Congresso. Como acreditar que isso será possível para alguns candidatos – de inegável atratividade eleitoral – mas incapazes de conseguir um mínimo de agregação de partidos às suas ideias. A unção como presidente os tornará mais competentes para construir consensos? Não acredito.

Para não dispersar os argumentos declaro meu voto no João Amoêdo, cujo Partido Novo parece ser uma esperança para o futuro e precisa ser apoiado na semeadura para poder germinar e produzir frutos. Mas, estou consciente de que as chances do meu candidato ir para o segundo turno são mínimas. E, estou cansado de voto útil. O Partido Novo pode não ser uma solução para 2018, mas poderá ser num futuro que está começando e precisa do apoio das pessoas de bem.

No entanto, acredito que o Brasil não mudou tanto como alguns pensam. Desde 1994 – como citado no site El País – os partidos com os dois maiores tempos de TV ou ganharam ou foram para o segundo turno. Em vista disso, não imagino que o Geraldo Alckmin, que conseguiu ser de vereador a governador de São Paulo, contratou o marqueteiro da Marina (2014) e João Dória (2016) e tem em torno da metade do tempo da televisão consiga perder esta eleição. Além disso, ele pode mostrar ao povo que sua eleição não apresenta riscos nem para a esquerda ou para a direita e pode ser uma promessa de retorno ao crescimento moderado, sonho da imensa maioria dos brasileiros. A capacidade de aglutinação de partidos, que lhe deu tanto tempo de televisão, também sinaliza uma maior capacidade de aprovação das reformas indispensáveis, sobre as quais já se comprometeu.

Voto 30 certo de que com Alckmin a nação terá a tranquilidade para poder discutir o melhor caminho para construir um futuro melhor para mais brasileiros.

Luís Eduardo Fontenelle Barros

Luís Eduardo Fontenelle Barros

Economista e consultor empresarial.

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