Declaração de voto na eleição 2020 para Prefeito – PARTE 2 – por OSVALDO EUCLIDES

Um amigo que conhece bem melhor a história desta terra costuma referir-se a uma parcela da elite local como “incivilizada, arrogante e inculta”. Numa palestra dele, há uns vinte anos, ele disse a um auditório lotado de empresários e executivos que os homens de negócio daqui tinham o hábito de dar aos filhos um carro , ao completarem dezoito anos, quando deveriam dar-lhes uma biblioteca, como fazem os empreendedores bem sucedidos da América do Norte e de outras paragens mais, digamos, evoluidas. E, ainda falando ao público, ele disse que nenhum homem rico da sociedade tinha feito uma obra ou realizado uma ação digna de nota.

Disse-lhe, reservadamente, imediatamente após a palestra, que ele cometera uma injustiça com o empresário local que criou a primeira instituição de ensino superior privada. E a fez grande desde o primeiro instante. Nasceu universidade e nem precisa dizer das coisas boas que vieram na esteira do tempo (estrutura física horizontal sustentável, belos jardins, teatro, uma senhora biblioteca…). E dava lucro. E não importava se houvesse benefícios fiscais. Bem…

Ao ler o texto, postado semana passada, sobre declaração de voto para a eleição 2020 para prefeito, neste Segunda Opinião (https://segundaopiniao.jor.br/declaracao-de-voto-na-eleicao-para-a-prefeitura-em-2020-osvaldo-euclides/ ), ele me sugeriu uma proposta a ser acrescida às dez que fiz inicialmente. Segue a ideia.

Numa prova de que o candidato acredita no futuro desta terra, acredita na juventude e acredita na educação,  o próximo prefeito deveria montar uma biblioteca com um milhão de livros em cada uma das seis regiões em que está dividida a cidade. O argumento é evidente: os livros moldam o caráter de jovens de todas as idades, reforçam a qualidade da educação e a civilidade da convivência, enriquecem a cultura, fazem pessoas melhores, contribuem para haver cidadãos mais conscientes, dão beleza à vida, dão vida às ideias, ensinam a ler, a pensar e a agir e reagir, a debater e a escrever, a conhecer o passado e construir o futuro, a conhecer-se e a ter empatia e respeito com o outro. O ambiente dos livros e o hábito de frequentar bibliotecas são úteis e saudáveis. E nenhum avanço tecnológico vai mudar isso. Aliás, os avanços tecnológicos reforçam e multiplicam todos esses benefícios, abrindo mil e uma possibilidades.

O amigo lembrou de sua palestra e do comentário feito após o final. E sugeriu que os candidatos se comprometessem com a ideia e que usassem todo o seu poder de convencimento e articulação para, se necessário, obter o apoio dos vinte empreendedores mais bem sucedidos localmente e que, segundo uma revista estrangeira, alcançaram os doze dígitos em suas fortunas. Há vinte anos não havia um só bilionário. Teremos trilionários antes de termos as seis bibliotecas?

Pronto, a ideia está lançada.

Osvaldo Euclides

Osvaldo Euclides

Economista e Professor Universitário.

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