Cortar imposto do rico é para o bem do pobre, por Jana

Jair Messias Bolsonaro é o presidente da República que fala a verdade. Se ele mesmo não desmentir o noticiário que circula, o governo vai criar uma carteira profissional verde-amarela, cujo portador, jovem e inexperiente, abrirá mão de pagamento de férias, décimo-terceiro salário e fundo de garantia. Sim, porque o presidente não se constrange em anunciar e, eventualmente, desde que mude de ideia, recuar. Também se pode dizer que, se ele mesmo não desmentir, que seu governo estuda simplificar o processo de demissão de servidores públicos. Além disso, já está no STF a solicitação de governadores de estados para que aquela corte permita redução de salário de servidores públicos, com o que, sem dúvida, o presidente da República concorda plenamente.

O crédito de falar a verdade é merecido porque o Presidente jamais voltou atrás nas declarações de apoio, por exemplo, à tortura e ao torturador, entre outras não menos estranhas, controversas para dizer pouco. Entretanto, a mais tocante de suas verdades está no ato de reconhecer que ele se sente “despreparado” para a função, e em seguida estabelecer que Deus terá condição de prepará-lo.

Voltando ao foco da questão de trabalho, seja na iniciativa privada, seja no setor público. Este novo governo já definiu que é melhor ter empregos do que ter direitos. E a crise não está aí para brincadeira. O desemprego já está torturando mais de doze milhões de famílias, o mercado de trabalho está tão deprimido que não se fala em greve já faz mais de três anos. Aumento de salário? Ninguém pressiona ninguém.

Pelo jeito o ministro Paulo Guedes vai mesmo baixar a carga tributária (fim provável da contribuição das empresas para a previdência e redução drástica das alíquotas de imposto de renda para as faixas mais altas) e isso precisa ser compensado com corte radical de gastos.

Aliás, Paulo Guedes, ao reduzir impostos dos mais ricos, tem certamente a melhor das intenções, qual seja a de induzir novos investimentos. Em outras palavras: cortar o imposto do rico é medida que se toma para favorecer o pobre.

Que ninguém alegue surpresa ou frustração com o novo governo. Bolsonaro nunca enganou ninguém, é o que é. Mas, que vai ser animado, vai. A julgar pelo primeiro mês, este governo promete. Paciência, serão quatro ou oito anos.

Jana

Jana

Janete Nassi Freitas, nascida em 1966, fez curso superior de Comunicação, é expert em Administração, trabalhou como executiva de vendas e agora faz consultoria para pequenas e médias empresas, teve atuação em grêmios escolares quando jovem, é avessa a redes sociais embora use a internet, é sobrinha e neta de dois vereadores, mas jamais engajou-se ou sequer chegou a filiar-se a um partido, mas diz adorar um bom debate político. Declara-se uma pessoa “de centro”. Nunca exerceu qualquer função em jornalismo, não tem o diploma nem o registro profissional. Assina todos os textos e inserções na internet como “Jana”.

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