Coronavírus x Bolsonavírus: qual está matando mais?

Ontem, 29 de maio de 2021, milhares de brasileiros(as) de dezenas de lugares, tanto no Brasil como no exterior, saíram às ruas num ato histórico, que misturou revolta, clamor, medo, dúvidas, mas principalmente, embalados(as) pelo sentimento de BASTA!
Sim, estamos numa pandemia, às bocas de uma terceira onda (há quem acredite que ela já iniciou); temos diariamente, cerca de 2000 mortos; temos a maior média móvel de contágio do mundo; o sistema de saúde encontra-se em colapso; apenas 10% da população do país tomaram as duas doses recomendadas para que se obtenha a imunização; as variante brasileira, do Reino Unido, da África do Sul e agora também, a indiana, encontram-se em nosso território, agravando o ritmo de contágio e de mortes. Portanto, mais do que nunca, as recomendações sanitárias devem ser cumpridas à risca. Evitar aglomeração, manter o distanciamento social, usar máscara, higienizar as mãos etc.
Mas então, por que as pessoas resolveram sair as ruas logo agora? Bom, acredito que uma rápida análise crítica da situação em que vivemos já responderia esta pergunta. Não é preciso ir tão afundo para perceber a gravidade em que nossa sociedade está inserida (me refiro aqui, só em nível de Brasil, mas a gravidade é mundial, cada qual com seus aspectos particulares, mas que no final, nos remete a um denominador comum).
Em simultâneo aos atos, tivemos também a notícia de que batemos a triste marca de 460.000 vidas perdidas. Vidas essas que poderiam ter sido preservadas, se não tivéssemos um projeto de genocídio em curso. Sim, genocídio é o nome, porque não tenho uma denominação melhor para tamanha crueldade e menosprezo à vida.
Como não chamar de genocida, um governo que desde o início da pandemia, negligenciou de todas as formas o andamento das medidas necessárias para barrar a disseminação do vírus. Aliás, não só negligenciou, como colaborou para sua proliferação e disseminou informações falsas. Isso sem falar nas vacinas, que ele, irresponsavelmente, demorou a comprar, negando várias propostas dos laboratórios.
Diante de todos esses argumentos, fica fácil entender que motivos há de sobra para se realizar tais protestos. Muito embora, na minha opinião, o momento é extremamente grave para termos um contingente grande de pessoas reunidas ao mesmo tempo, num mesmo lugar. Embora, ao contrário dos atos promovidos pelo presidente, que desrespeita totalmente as medidas sanitárias, nesse de ontem vimos que os manifestantes usavam máscara, havia a distribuição de álcool em gel e tentou-se, de alguma forma, manter um certo distanciamento. Mesmo assim, é um risco iminente.
Mas o fato é que não podemos ficar inertes diante de tanta barbaridade, portanto, é o momento de não apenas gritar FORA BOLSONARO, mas também de pormos abaixo toda essa estrutura que sustenta esse modelo social-fetichista, que todos(as) estamos inseridos(as), e o reproduzimos diariamente.

Por Dalila Martins

Dalila Martins

Dalila Martins

Maria Dalila Martins Leão é Eng. Agrônoma pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e atualmente é Mestranda em Agronomia/Fitotecnia pela mesma instituição. Amante da natureza e entusiasta na luta pela Emancipação Humana e Ambiental!

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