Contra febre, gripe e resfriado, dores e doenças em geral, tome “reformas”, por Capablanca

Desde abril de 2016, quando a presidente da República Dilma Roussef foi afastada e o vice Michel Temer tomou posse,  os brasileiros e as brasileiras são engabelados pelo discurso da “recuperação econômica”. Imediatamente antes da substituição, o que se dizia era que tão logo a petista fosse afastada, a confiança dos mercados retornaria e traria investimentos em cascata para o Brasil. Afinal, o mundo inteiro tem dinheiro sobrando para investimento e o problema era só um: o partidos dos trabalhadores.

Assim que foi feita a troca de presidente, a conversa foi mudando. O discurso passou a ser: a retomada econômica deverá ser lenta. A confiança se reconquista aos poucos. Os investimentos virão, mas pode demorar um pouco. O desemprego estará resolvido a médio e longo prazo, é o último da fila. Mas (sempre tem um “mas”), a retomada só acontecerá se forem feitas as “reformas”. Na época, primeiro semestre de 2016, as reformas eram três: Teto de Gastos, Trabalhista e Previdenciária. Duas foram feitas. Nada de retomada, nada de saneamento das contas públicas.

Aos poucos foi se introduzindo a ideia das privatizações. Desmonta-se, por fatiamento e vendas, a Petrobrás. Cortam-se alguns dos últimos braços de distribuição da Eletrobrás. Entrega-se a Embraer. Passa-se o controle da Vale. Vende-se a preço vil o controle das grandes empresas de engenharia. Agora está mais aberta a proposta: é para privatizar tudo, rápido e de um jeito novo (em que pouco ou nada se arrecada, passa-se o filé e o Estado fica com os ossos e a gordura, ou seja, as dívidas e os problemas). E tudo se faz sem a menor crítica, um novo tipo de “transparência” torna a marmota algo normal, coisa “de mercado”, dizem.

Recuperação mesmo, de verdade, nenhuma. Empresas e trabalhadores voltaram aos níveis que estavam em 2010. O problema macroeconômico que Dilma Roussef deixou (déficit fiscal) está intacto 36 meses depois.

E como o discurso equaciona e concilia tudo? Dizendo assim: só melhora depois das reformas. Do mesmo jeito que se dizia em 2015: só melhora depois de tirar a Dilma.

Como o papo furado está perdendo fôlego, alguns mais aflitos estão começando a fazer promessas que jamais entregarão. Um deles diz que a aprovação das ditas “reformas” vai fazer o Brasil crescer por dez anos sem parar. Outro disse que cresceremos 6% ao ano. Só depende das “reformas”.

É justo dizer que contra a febre, gripe, resfriado e dores e doenças em geral, só “reformas” na veia, em gotas, comprimidos ou supositórios.

Capablanca

Ernesto Luís “Capablanca”, ou simplesmente “Capablanca” (homenagem ao jogador de xadrez) nascido em 1955, desde jovem dedica-se a trabalhar em ONGs com atuação em projetos sociais nas periferias de grandes cidades; não tem formação superior, diz que conhece metade do Brasil e o “que importa” na América do Sul, é colaborador regular de jornais comunitários. Declara-se um progressista,mas decepcionou-se com as experiências políticas e diz que atua na internet de várias formas.

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Ernesto Luís “Capablanca”, ou simplesmente “Capablanca” (homenagem ao jogador de xadrez) nascido em 1955, desde jovem dedica-se a trabalhar em ONGs com atuação em projetos sociais nas periferias de grandes cidades; não tem formação superior, diz que conhece metade do Brasil e o “que importa” na América do Sul, é colaborador regular de jornais comunitários. Declara-se um progressista,mas decepcionou-se com as experiências políticas e diz que atua na internet de várias formas.