Considerações sobre o início da propaganda eleitoral, por Cleyton Monte

A TV e o rádio são os meios de informação política mais centrais para o eleitor brasileiro. Não por acaso, os candidatos fizeram de tudo para construir coligações que lhes permitissem ter mais tempo de inserção nesses espaços. Com uma campanha mais curta, a propaganda eleitoral se tornou aposta de vários nomes desconhecidos ou que registram baixos índices nas pesquisas de intenção de voto. Seguindo o calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as exibições tiveram início na sexta-feira (31/08). A seguir, algumas considerações sobre as peças veiculadas pelos principais candidatos à presidência da República e ao governo do Ceará.

No âmbito nacional, Geraldo Alckmin tem um verdadeiro latifúndio comunicativo. Em suas primeiras aparições, buscou apresentar sua trajetória e o legado como governador de São Paulo. A estratégia de polarização com Bolsonaro ficou evidente e deverá ser reforçada. Marina Silva centrou suas forças no voto feminino e no seu histórico de lutas. Ciro Gomes decidiu apostar suas fichas no polêmico projeto Nome Limpo, que promete regularizar a situação dos milhões de devedores. O PT defendeu a tese de perseguição contra Lula e explorou a imagem de Fernando Haddad, em uma clara sinalização de transferência eleitoral. No seu tempo reduzido, Bolsonaro lembrou da família e da pátria – temas frequentes de seus discursos.

Na esfera estadual, Camilo Santana domina quase isoladamente o tempo no rádio e na TV. O desfile de números é interminável. A ideia é destacar seus feitos nas mais diferentes áreas, principalmente saúde e educação. O discurso na convenção que homologou seu nome foi um dos motes da primeira exibição do governador. O general Theophilo tratou de se apresentar para o grande público e explicar os motivos que o fizeram entrar na disputa. Certamente, o militar vai enfocar na pauta da segurança pública. Os demais candidatos ao governo tiveram tempo somente para veicular seus nomes e números.

As inserções que o eleitor vai encontrar ao longo da programação são ainda mais decisivas que os dois blocos da propaganda eleitoral. Os brasileiros estarão diante de rostos, números e propostas colados ao seu programa favorito. De toda forma, essas peças publicitárias iniciam verdadeiramente o “tempo da política”. A mensagem pode sofrer alterações. A campanha tem sua própria dinâmica e é influenciada pelas narrativas dos adversários. As pesquisas de intenção de voto geralmente servem de termômetro para analisar esse processo de comunicação tão importante para o jogo democrático. Vamos aguardar os próximos movimentos!

Cleyton Monte

Cleyton Monte

Doutor em Sociologia, pesquisador do Laboratório de Estudos sobre Política, Eleições e Mídia (LEPEM), membro do Conselho de Leitores do O POVO e professor universitário.

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