Coitado do Brasil. A humilhação é o que dói mais. Por CAPABLANCA

Coitado do Brasil. O Brasil inteiro foi posto à venda, depois de optar pela servidão voluntária, pela subserviência política. O Ministro da Fazenda vai a Nova Iorque e se apresenta a um grupo de banqueiros e aplicadores de dinheiro e afirma orgulhoso: “…já vendemos 12 aeroportos…”. E conclui logo em seguida: “Estamos vendendo tudo”.

Depois de entregar o controle da Embraer e da Vale, Petrobrás e Eletrobrás podem entrar na bacia das almas. Faz pena “queimar” um patrimônio tão expressivo, tão útil, tão estratégico. O mercado quer, exige e tem urgência. Tudo vendido a tão baixo valor que ninguém nem pergunta o que será feito com o dinheiro arrecadado.

Não, o Brasil não precisa disso – o país tem reservas de 360 bilhões de dólares. O Brasil exporta muito mais do que importa. O Brasil já recebe há mais de dez anos mais de 60 bilhões de dólares todo ano de investimento externo direto. Não há qualquer dificuldade para gerir e rolar a dívida interna, que pode ser alta em valores absolutos, mas é baixa em valores relativos. Estrategicamente, o Brasil é um dos poucos países do mundo que produz alimentos e energia para suas necessidades. O Brasil acumulou tanto prestígio internacional que disputou e venceu o resto do mundo na disputa para sediar Olimpíadas e Copa do Mundo.

Déficit fiscal é dramático? Quem disse? Michel Temer num único decreto isentou impostos de empresas estrangeiras no valor estimado em um trilhão de reais em pouco mais de 12 anos. Por que não resolvem o déficit? Por uma razão simples: a conta terá de ser paga por assalariados. Os outros, que não são pobres e remediados, mas ricos e poderosos, serão beneficiados com impostos menores, cada vez menores. Por essa razão, a reforma previdenciária é do jeito que é. Por essa razão, a reforma tributária fica para depois. E sabe qual será o discurso da reforma tributária? “Os impostos terão de ser reduzidos na mesma proporção para todos. Afinal, somos todos iguais”. Isso é desfaçatez. E cruel.

Mas a humilhação é o que dói mais.

Agora, depois de esmagar o trabalhador, parece que colocam o alvo nas costas dos empresários. O esvaziamento do sistema bancário público (BB, BNDES, Caixa, BNB, Basa) é um processo que se completa com a independência do Banco Central e deixará o financiamento do investimento, da produção e do comércio nas mãos de bancos particulares. Cada empresário que um dia precisou de banco sabe o que isso significa.

Capablanca

Capablanca

Ernesto Luís “Capablanca”, ou simplesmente “Capablanca” (homenagem ao jogador de xadrez) nascido em 1955, desde jovem dedica-se a trabalhar em ONGs com atuação em projetos sociais nas periferias de grandes cidades; não tem formação superior, diz que conhece metade do Brasil e o “que importa” na América do Sul, é colaborador regular de jornais comunitários. Declara-se um progressista,mas decepcionou-se com as experiências políticas e diz que atua na internet de várias formas.

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