CIRO GOMES, O POLÊMICO PRÉ-CANDIDATO A PRESIDENTE DO BRASIL, por Eduardo Fontenele

O cearense Ciro Gomes, do PDT, pode vir a ser o próximo Presidente do Brasil. Ciro é conhecido por suas opiniões polêmicas e por possuir um temperamento forte, que já lhe renderam alguns inimigos e dezenas de processos. Mas Ciro é uma alternativa promissora da centro-esquerda para as próximas eleições.

Diferente do ex-Presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva, Ciro não é investigado pela Lava Jato, o que o torna uma aposta viável para os que não compartilham das ideias do neoliberalismo de pré-candidatos como Geraldo Alckmin (PSDB) e um possível Michel Temer candidato pelo MDB.

Caso Lula seja impedido de se candidatar devido a seus problemas com a justiça, acusado de lavagem de dinheiro e corrupção passiva, o PT teria de escolher alguém para apoiar no pleito, o que seria coerente com sua história apoiar o cearense, ao invés de criar alianças espúrias, como a que vitimou o cargo de Dilma Rousseff, após relacionar-se com o carrasco de seu mandato, entregando a sua alma num pacto faustiano, cedendo a vice-presidência e vários ministérios a Temer e sua corja de golpistas do MDB.

Ciro possui experiência em cargos públicos, como Governador do Ceará, Prefeito de Fortaleza, Deputado Estadual e Federal, além de Ministro da Fazenda no governo de Itamar Franco. É aliado de Lula há 16 anos e foi Ministro da Integração Nacional no primeiro mandato do petista como Presidente da República.

Mas o maior entrave para o pedetista são suas declarações controversas e seu humor ácido. Certa vez, disse que a função da atriz Patricia Pillar, sua esposa na época, em sua campanha presidencial de 2002, era dormir com ele. Ela estava enfrentando um câncer na época. Ele foi obrigado a se explicar publicamente por seu comentário machista.

O político responde a vários processos na justiça devido ao seu destempero em suas declarações. Ciro responde a 80 processos por danos morais, 37 deles movidos pelo adversário político, o Senador emedebista Eunício Oliveira. Ele está sendo processado pelo Senador Fernando Collor de Mello (PTC), pelo Deputado Federal cassado Eduardo Cunha (MDB), chamado de ladrão pelo cearense; pelo pré-candidato Jair Bolsonaro (PSL), acusado por Ciro de lavagem de dinheiro; também por João Dória (PSDB) e Temer, a quem ele chamou de “ladrão fisiológico”, “capitão do golpe” e “chefe de quadrilha”.

O mais paradoxal no pedetista é que ele almeja o apoio do PT para sua candidatura, mas não se importa de criticar seu aliado de longa data, pois usou certa vez uma frase dura para se referir à situação do ex-Presidente Lula, que se encontra envolvido por problemas legais, segundo Ciro: “Inocente nada, Lula é um merda”.

Se conseguir vencer a si mesmo, Ciro Gomes tem chances reais de ser eleito, porém, dependeria ainda de uma conjunção de fatores que muitos militantes não gostariam, que seria a derrocada final de um símbolo da esquerda, a melancólica saída de cena do maior vulto que a política nacional concebeu nas últimas décadas.

Eduardo Fontenele

Eduardo Fontenele

Eduardo Fontenele formou-se em jornalismo pela Devry Fanor em 2016, publicou o livro de contos Abstrações em 2017 e é administrador dos blogs Drops de Filmes e Pensando desde 1978.

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