Ciranda, cirandinha, vamos todos cirandar…II – por Capablanca

O presidente do Banco Central do Brasil Ilan Godfajn deu semana passada uma declaração desastrosa. Ele disse algo como “ninguém espera que a inflação fique sempre abaixo de 3 por cento ao ano”. Imediatamente, as expectativas dos empresários, comerciantes e especuladores do mercado foi impulsionada para cima. Claro. Se o presidente do Banco Central aposta em alta da inflação, é porque a inflação vai subir. Afinal, ninguém mais do que ele tem informações qualificadas sobre inflação. Ninguém mais do que ele tem a responsabilidade de formar e ancorar as expectativas. Agora tudo já se confirmou: o sistema Focus de captação dessas expectativas do mercado financeiro aponta que a aposta subiu e afastou-se de 3 por cento e encostou nos 4 por cento. Para 2018.

Este é o mesmo presidente do Banco Central a quem se atribui a façanha de “queimar” mais de vinte e quatro bilhões de dólares de reservas e não conseguir acalmar e estabilizar o mercado de câmbio. Aliás, o Brasil sequer deveria ser vítima desse ataque especulativo. Se há algo que o país conquistou de forma estrutural nos últimos tempos foi a solidez das contas externas. O Brasil não tem déficit comercial, o Brasil financia seus déficts de transações correntes com investimento direto externo, não é captador de empréstimo para fechar balanço de pagamentos e, por último, mas não menos importante, tem reservas de centenas de bilhões de dólares.

O economista Ilan Goldfajn é um dos três membros do “dream team” (equipe dos sonhos) da área econômica, junto com Pedro Parente e Henrique Meireles. Pois não é que a equipe dos sonhos está produzindo um enorme pesadelo?

É a velha porta giratória. Da iniciativa privada para o governo. Do governo para a iniciativa privada. Na economia, de um do geral, mas na Fazenda e no Banco Central, de modo especial, o desastre potencial dessa rotina na vida do país e nas contas públicas é oceânico, apesar de sutil e silencioso.

Capablanca

Capablanca

Ernesto Luís “Capablanca”, ou simplesmente “Capablanca” (homenagem ao jogador de xadrez) nascido em 1955, desde jovem dedica-se a trabalhar em ONGs com atuação em projetos sociais nas periferias de grandes cidades; não tem formação superior, diz que conhece metade do Brasil e o “que importa” na América do Sul, é colaborador regular de jornais comunitários. Declara-se um progressista,mas decepcionou-se com as experiências políticas e diz que atua na internet de várias formas.

Mais do autor

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *