Ciranda, cirandinha, vamos todos cirandar…final. Por Capablanca

O mercado financeiro no Brasil está exatamente do jeito que o diabo gosta. Volatilidade muita, em quantidade e qualidade para ninguém botar defeito. Os agentes mais competentes sabem ganhar na subida e sabem ganhar também na descida. Isso vale tanto para taxas de câmbio, como para taxas de juros e para cotações de bolsa. Engana-se quem pensa que se ganha apenas na alta. Ganha o expert na alta e na baixa. Em suma, ganha na volatilidade. Portanto, quanto mais volatilidade, melhor.

O raciocínio acima vale para quem especula a curto prazo e tem informação em nível bem mais alto que a média. Não vale para quem investe a longo prazo. Não vale para quem produz e empreende. Para quem produz e empreende, quanto menos volatilidade, melhor; ou seja, quanto mais estabilidade, melhor. Por isso a referência ao capeta.

A especulação não é necessariamente danosa ou criminosa. Os especuladores dão liquidez ao sistema e ajudam a formar preços, a antecipar tendências e, havendo boa regulação, ela não produz prejuízos apenas. O problema se configura e se torna grave quando a volatilidade e a especulação se sobrepõem à realidade, atacam o bom sendo, avançam no dinheiro público e contribuem para abalar a confiança do empreendedor e do investidor que gera emprego, produz, financia o investimento e gera tributos e desenvolvimento sustentável.

As bolsas de valores escolheram autorregular-se e suas oscilações são melhor absorvidas por todos os agentes do mercado e da economia real. Até porque as oscilações se dissipam entre dezenas de papéis de dezenas de empresas. E, no caso brasileiro, os valores negociados são quase inexpressivos em termos macro. E o poder público não participa do jogo, comprando e vendendo com dinheiro grosso.

No câmbio, é diferente. O foco está todo no dólar. Os volumes negociados são expressivos. O efeito não se dissipa facilmente, sobretudo para o lado negativo. E o dinheiro público está todo dia comprando e vendendo. O poder público é o principal ator desta gigantesca peça, através do Banco Central.

Pode o Banco Central evitar a montanha russa do câmbio. Sim, claro. Fácil e rápido. Não deve o Banco Central retirar a liberdade do mercado nas operações da economia real (importações, exportações, empréstimos, investimentos, remessas de juro, turismo & outras, como as de hedge de entidades brasileiras). Mas pode e deve o Banco Central estabelecer uma regulação inteligente para evitar os alguns absurdos que estamos assistindo. Dizer que o câmbio é flutuante e flutua só deve dizer quem não tem responsabilidade direta com o equilíbrio macroeconômico e com o dinheiro público. Flutuar é uma coisa, brincar de montanha russa é outra, convenhamos.

Bastaria ao Banco Central normatizar e/ou tributar as operações puramente especulativas dos mercados a termo para proteção da economia e do erário. Só.

Capablanca

Capablanca

Ernesto Luís “Capablanca”, ou simplesmente “Capablanca” (homenagem ao jogador de xadrez) nascido em 1955, desde jovem dedica-se a trabalhar em ONGs com atuação em projetos sociais nas periferias de grandes cidades; não tem formação superior, diz que conhece metade do Brasil e o “que importa” na América do Sul, é colaborador regular de jornais comunitários. Declara-se um progressista,mas decepcionou-se com as experiências políticas e diz que atua na internet de várias formas.

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