Cinco segundos

Cinco segundos

Cinco segundos, esse foi o tempo necessário para mudar a minha vida por completo. Quando vi aquelas duas listras verticais no teste de gravidez pensei em todas as coisas que deixaria para traz ou em stand bye. Na graduação que ainda não tinha concluído, no casamento que tinha acabado de começar, na carreira ainda não consolidada, na casa própria que ainda não possuía, todos os medos, angústias, todas as incertezas se misturaram com a euforia, a emoção, a alegria, a gratidão de gerar uma nova vida em mim. E assim, sem planejar, sem esperar, aconteceu o que eu sempre sonhei, não na hora que eu quis, mas na hora que tinha de ser.

Depois da montanha russa de emoções vem a fase da paixão, a cada novo centímetro de barriga, uma nova descoberta sobre esse tal amor incomparável, esse padecer no paraíso, que a gente tanto escuta da boca da nossa mãe, mas que só é possível compreender através dessa experiência de gestar. E não me leve a mal minha cara amiga leitora, mas existem certas sensações que só uma mãe pode experimentar, um chute de pezinhos minúsculos na sua costela, o bater do coraçãozinho de um ser ainda não visto, não tocado, mas já querido, como é possível? Sempre me questionava, como eu poderia amar quem eu não conheço? Quando na verdade sinto que sempre estivemos ligados de alguma forma, como se ele já fizesse parte de mim desde muito antes das 40 e poucas semanas de gestação, para mim um mistério que não foi confiado ao homem desvendar.

Chegando nos finalmente, perto da data prevista do parto, parece que o tempo para, é como se os nove meses tivessem passado voando e as últimas semanas em câmera lenta, e essa não é uma percepção minha, todas as grávidas que conheci tem a mesma impressão. Talvez seja a ansiedade, a vontade de ver aquele rostinho, de ouvir o primeiro choro, de encontrar aqueles pequenos olhos perturbados pela claridade do mundo, de sorrir e ver que o seu novo ser te reconheceu, escutou a sua voz e se calou num afago infinito que é o primeiro contato, a famosa “hora de ouro”. E essa hora do encontro acontece de uma maneira única e especial para cada mulher, não tem padrão, é como Deus permite acontecer, seja por cesárea ou parto humanizado, em casa ou no hospital, em pé ou deitada, o importante é que a mulher protagonize esse momento, que seja acolhida com amor e força.

E por falar em força, só quando meu primeiro filho nasceu descobri o quanto sou forte, é uma força além dos nossos limites, e não tem só a ver com músculos ou o tanto de exercícios que você fez para se preparar, é muito do quanto você trabalhou o seu psicológico para passar por aquilo, pois em meio as dores eu precisava o tempo inteiro lembrar a mim mesma de que eu conseguiria e que cada onda de contração que eu pulasse estaria mais perto de conhecer o meu menino, estaria chegando ao porto onde receberia nos braços aquele que me fez mãe. 

 

Nessa viagem que é a gestação, somos assoladas por ventos, tempestades, calmaria e um furacão, que após ir embora nos deixa em águas mansas e brisas que trazem um doce cheirinho de amor. E sabe esse amor que você pensa já ser imenso por esse bebê dentro da sua barriga? Ledo engano minha amiga, deixa ele nascer e multiplica por milhões de vezes, mais intenso, mais forte, mais avassalador, que te preenche e te mostra que o seu lado certo na verdade era do avesso. 

 

Hadassa Cavalcante

Hadassa Cavalcante

Graduada em Jornalismo, Mãe de dois, Vegetariana,Cristã.

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