Chega de lero-lero, senhores economistas! – Parte 2

Uma das consequências desta pandemia surpreendente, assustadora e ainda incontrolável é a sua repercussão imediata e devastadora nos negócios de produção, comércio e serviços. Isso foi precificado e já está em vias de ser neutralizado, salvo novas ondas e novas surpresas. Assim, o problema foi resolvido com dinheiro, com financiamento para empresas, reforço das reservas de bancos e socorro financeiro e flexibilidades negociais para pessoas. O impacto econômico está dado e em boa parte absorvido, mesmo que as contas públicas tenham sido estouradas.

Mas o que autoridades e lideranças mais responsáveis temiam, felizmente, não aconteceu. Seria algum tipo de onda de descontrole, desesperança ou pânico por parte da população. Não foi fácil tranquilizar toda uma comunidade de bilhões de pessoas que tiveram suas vidas ameaçadas, sua saúde posta em risco, suas finanças desequilibradas, suas rendas comprometidas e outras coisas do tipo. A reação dos bancos centrais e dos governos foi o bastante para evitar qualquer tipo de onda ou movimentação social. Mas o risco foi percebido, tão percebido que a reação preventiva foi gigantesca, sem precedentes, sobretudo aquela voltada para as pessoas mais pobres e de baixa renda.

O fato é que todo o sistema foi ameaçado pelo vírus e pelos riscos inicialmente imprevisíveis (e aparentemente incontroláveis) sobre a grande parte vulnerável da população.

É preciso aprender a lição e não esperar pela próxima ameaça. Convém manter a solidariedade desenhada. É possível e é mais do que necessário, indispensável e inadiável, acenar com esperança concreta de que o mundo pode ser melhor e mais justo. Os profissionais das finanças têm nos dias correntes mais força e mais argumentos do que os políticos ao definir as grandes estradas políticas e econômicas que vão marcar a vida das pessoas. Não esqueçam da lição. Não apostem contra seus próprios interesses.

Não deixem vulnerável a coesão social. Para o bem de todos.

Capablanca

Capablanca

Ernesto Luís “Capablanca”, ou simplesmente “Capablanca” (homenagem ao jogador de xadrez) nascido em 1955, desde jovem dedica-se a trabalhar em ONGs com atuação em projetos sociais nas periferias de grandes cidades; não tem formação superior, diz que conhece metade do Brasil e o “que importa” na América do Sul, é colaborador regular de jornais comunitários. Declara-se um progressista,mas decepcionou-se com as experiências políticas e diz que atua na internet de várias formas.

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