Burguesia podre

Tensão máxima. A cabeça deles estava inquieta, ardia e cheirava a cão queimado. Abutres sentados em lugares estratégicos tentavam diabolicamente pegar a presa e “estancar a sangria”. Várias arapucas e fojos foram armados. Teriam que aprisioná-la e segurá-la com cuidado, demonstrando zelo, para disfarçar o escândalo, mas com força para não deixá-la escapar. Blefe, jogo de cena e falcatruas saltavam aos olhos e punham de pé os cabelos de quem tem senso crítico.

Os “belos” discursos e as “maravilhosas” narrativas proferidas pela imprensa burguesa golpista, pelo judiciário e pelo legislativo, todos com letras minúsculas, não amainavam o mau cheiro de suas ações de conluio com forças externas e entre si. O microfone, a toga e o parlamento curvam-se aos 30 dinheiros. A reedição de Judas Iscariotes no século XXI. QUE VERGONHA!

31 de agosto de 2016. O Circo ou o Tribunal de Exceção (a história classificará) estavam armados. Os algozes, ávidos a postos, lambiam os beiços preparados para o trucidamento.

Com os supercílios arqueados e a passos firmes entra a vítima, soberana, demonstrando coragem e destemor.

Com elegância e com firmeza, respondeu todas as perguntas que lhe foram endereçadas antes e depois do intervalo do almoço. Mais um dia de tortura; replay de 1964 em 2016 em nome da Lei e contra o que nunca existiu aqui – o comunismo.

O entardecer anuncia o ocaso de uma era alvissareira. A Presidenta Dilma Vana Rousseff, primeira mulher a subir a rampa do Palácio do Planalto, é deposta sem cometer crime algum. A democracia é quebrada. Caras pálidas riem e se abraçam, comemorando o Golpe, uma vitória suja e ardil.

Dilma dirige-se à tribuna e cresce mais ainda. Em discurso histórico denuncia a farsa e profetiza: – a verdade triunfará e “não ficará pedra sobre pedra”.

Indignado, chorei e redigi essa mensagem:

CARTA ABERTA AOS GOLPISTAS

Meu nome é Democracia Brasileira, sou uma adolescente de 13 anos. Fui concebida e gestada no útero da luta da Classe Trabalhadora … esquecida e maltratada, sempre!
Os poderosos, queriam que eu fosse abortada … mas o povo quis que eu nascesse.
Milhares dos que torciam por mim foram perseguidos e mortos! Eu sobrevivi, entretanto.
Nasci de um parto doloroso, sangrento e agora querem me assassinar com um Golpe Traiçoeiro. Vou resistir, não posso morrer. Eles querem destruir o que eu fiz:

• Saciei a fome de milhares de pessoas;
• Dei abrigo a muitas famílias;
• Fiz com que os índios tivessem sua identidade reconhecida;
• Acolhi os negros;
• Abracei as diversidades sexuais;
• Criei mecanismos de promoção humana;
• Levei médicos para aliviar as dores dos esquecidos;
• Incentivei o estudo;
• Construí muitas escolas técnicas;
• Implantei dezenas de Campus Universitários;
• Criei o sistema de cotas para favorecer os excluídos;
• Efetivei programas sociais e ambientais;
• Apoiei os direitos trabalhistas;
• Criei incentivos ao empreendedorismo;
• Mostrei minha Pátria-mãe a outros povos;
• Coloquei comida na mesa dos menos favorecidos;
• Regulamentei o trabalho doméstico;
• Ampliei direitos;
• Apoiei o sindicalismo;
• Contrariei os direitos da burguesia … … …

Eles não desistiram. Ficaram à espreita e montaram um plano macabro, estratégico e fascista para me matar:

1º – Caluniaram, inventaram mentiras e as divulgaram massivamente;
2º – Traíram, perseguiram e execraram meus pais;
3º – Humilharam meus admiradores;
4º – Transformaram as Casas do Povo em Tribunais de Exceção;
5º – Aplicaram o Plano Golpista!

Mas não morri. Estou triste e magoada, porém viva no coração dos que me gestaram e me fizeram nascer … e que continuarão na Luta para me salvar.

Prof. Gilmar Oliveira
31-08-2016a

Gilmar Oliveira

Gilmar Oliveira, Professor Universitário.